Demógrafa destaca passagem da barreira inédita dos 11 milhões de residentes em Portugal

INE atualizou esta segunda-feira o número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, graças à contabilização de 1.597.539 pessoas estrangeiras.

22 de junho de 2026 às 18:27
Demógrafa destaca passagem da barreira inédita dos 11 milhões de residentes em Portugal
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A demógrafa Maria João Valente Rosa destacou esta segunda-feira o facto de Portugal ter superado a barreira dos 11 milhões de habitantes e de existir mais população ativa graças à presença de estrangeiros.

"Hoje ficámos a saber algo que não sabíamos até ao momento, nomeadamente que tínhamos ultrapassado a barreira já em 2023, mas 2025 também, a barreira dos 11 milhões de habitantes", disse a demógrafa, considerando ser algo "inédito em termos de número de pessoas que residem em Portugal".

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A professora da Universidade Nova falava à agência Lusa a propósito da divulgação esta segunda-feira das estatísticas relativas às estimativas da população residente em 2025 pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O INE reviu toda a série de valores desde os censos de 2021, incorporando os dados de estrangeiros atualizados pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo, bem como uma nova contagem de informações administrativas cruzadas, que será a base para análises posteriores.

Maria João Valente Rosa sublinhou que Portugal não tinha no passado um registo e um número "tão elevado", o que "é uma notícia importante", além dos dados apontarem para "uma inversão da redução da população em idade ativa", que "tinha vindo a diminuir de uma forma relativamente consistente desde 2009".

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"Hoje temos mais de sete milhões de pessoas entre os 15 e os 64 anos" e também "nesse grande grupo de idade nunca fomos tantos", explicou, salientando que, para tal contribuiu o aumento dos estrangeiros residentes.

A demógrafa afirmou também que nunca tinham existido tantos estrangeiros a viver em Portugal, correspondendo a 14% da população, sendo algo que está "muito em linha com o que é observado noutros países da União Europeia, nomeadamente a Alemanha, Bélgica, Espanha ou Irlanda".

A professora frisou igualmente que a população continua a envelhecer, mas "de uma forma menos acentuada" do que no passado recente, o que contrariou as expectativas dos especialistas.

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Num balanço, Valente Rosa destaca "o contributo extremamente importante do saldo migratório e dos estrangeiros para todo este panorama" do país.

O INE anunciou também alterações metodológicas que já estavam previstas, passando a dar prioridade aos dados administrativos cruzados em vez dos números dos censos, o que obrigou a corrigir informações desde 2021, algo que a demógrafa disse compreender.

"Quando se faz uma alteração de metodologia é habitual que as séries sejam revistas para haver uma certa continuidade, porque senão ficamos assim com um número solto no meio de uma série estatística temporal", explicou.

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Segundo a professora, este tipo de revisões metodológicas "vão acontecendo" porque "as sociedades evoluem e as metodologias diversificam-se" e é de "bom tom que, de vez em quando, seja feito o refrescamento".

No entanto, sustentou que esta alteração "vai ter um grande impacto", nomeadamente na forma como Portugal se posiciona no quadro europeu, numa comparação de dados per capita ou absolutos de população.

A professora indicou que a partir de agora será possível obter "informação mais granular" a partir dos dados em vez de ter como base os censos.

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"Até agora, os recenseamentos da população eram assim os nossos grandes marcos, só que aconteciam de dez em dez anos e nós sabemos que com a velocidade da mudança, de dez em dez anos é uma eternidade", considerou Valente Rosa, defendendo "uma informação mais consolidada, mais sólida e com uma menor espessura temporal".

O INE atualizou esta segunda-feira o número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, graças à contabilização de 1.597.539 pessoas estrangeiras.

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