Desaceleração do jogo online exige "salto decisivo no combate" às plataformas ilegais
Setor do jogo online desacelerou de forma significativa em 2025.
A desaceleração do jogo online em 2025 mostra que o setor está a entrar numa fase de maturidade, o que exige "um salto decisivo no combate" às plataformas ilegais, defende o presidente da associação das empresas licenciadas.
Num comunicado emitido esta terça-feira a propósito do relatório do 4.º trimestre de 2025 publicado pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ), o presidente da Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO), Ricardo Domingues, afirma que o setor do jogo online desacelerou de forma significativa em 2025, confirmando "uma tendência que se verifica de forma progressiva já há uns anos e que se acentuou de forma marcada neste último ano: uma desaceleração do crescimento do mercado, característica de um setor que entra numa fase de maior maturidade".
O mercado continuou a crescer, mas a um ritmo inferior, registando-se o "menor crescimento anual de sempre (8,49%)" nas receitas e um decréscimo no "número de contas ativas, ainda que ligeiro, cuja média trimestral foi 0,64% abaixo da de 2024", indica a APAJO.
Para Ricardo Domingues, que é citado no comunicado, "a indústria encara esta evolução como natural, face à estabilização de um setor que só este ano faz dez anos de ser lançado e que beneficiou do aumento da digitalização do consumo", mas que implica "dar um salto decisivo no combate ao jogo ilegal, onde 40% dos portugueses continuam a apostar" e "atualizar a oferta do mercado licenciado de forma que possa acompanhar a procura".
Ao todo, refere a associação, o Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) totalizou 353 milhões de euros em 2025, crescendo 5,47% face a 2024.
O nível de crescimento da receitas, indica a APAJO, "alimentado sobretudo pelas Receitas Brutas de Jogo (RBJ) de Jogos de Fortuna ou Azar (JFA)", que "aumentaram anualmente 11,85%", o "menor registo de sempre".
Relativamente às Apostas Desportivas à Cota (ADC), o volume de apostas cresceu 0,90% em relação a 2024, variação que "representou um recuo em igual medida no imposto recolhido".
No mesmo comunicado, o presidente da associação afirma que o mercado regulado português tem demonstrado capacidade para oferecer um ambiente seguro, transparente e devidamente supervisionado", com os operadores licenciados a cumprirem as obrigações "contribuindo de forma relevante para a economia nacional e para o financiamento de diversas áreas de interesse público, no combate permanente ao jogo ilegal".
"No que toca aos indicadores relativos às contas de jogador, o quarto trimestre de 2025 teve um número de contas ativas inferior ao trimestre homólogo (2,45%), algo que já tinha acontecido com os dois trimestres anteriores" e, como resultado, "a média anual de contas ativas por trimestre recuou face a 2024, 0,64%", refere a associação.
Também o número de novas contas abertas em 2025 foi inferior à de 2024, mas em proporção maior (-21,80%). "Foram registadas 910 mil contas, 253 mil abaixo de 2024, e até abaixo de 2023", faz saber a associação.
"O número de novas autoexclusões diminuiu, neste caso uma variação de -1,06% face ao ano anterior", sendo "a primeira vez em que este indicador recua".
A APAJO tem como associados a Estoril Sol Digital (da plataforma ESC Online), a Gobet - Entretenimento (da Bwin), a Bem Operations Limited (da Betclic), a Solverde, a Kaizen Gaming International (da Betano), a Skill On Net Limited (da Bacana Play), a SFP Online (da Casino Portugal) e a Reel Europe Limited (da Pokerstars).
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