Elvas "morreu" após encerramento do quartel

Militares faziam parte da vida da cidade.

18 de setembro de 2014 às 08:06
Elvas, quartel, Regimento de Infantaria N.º 8 Foto: Nuno Veiga/Lusa
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Moradores de Elvas afirmaram à Lusa que a cidade "morreu" com o fim da presença militar naquela cidade raiana, sublinhando que a insegurança "aumentou" após o encerramento do Regimento de Infantaria 8, em 2007.

Maria Luísa Godinho vive há 47 anos nas imediações do quartel, transformado em 2009 em museu militar, e, em declarações à agência Lusa, recordou que os militares faziam diariamente parte da sua "companhia".

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"Os militares faziam muita companhia, Elvas morreu em tudo. O quartel era a base principal da cidade, pois os militares movimentavam a cidade", disse referindo-se à saída gradual dos militares após ter sido decretado o fim do Serviço Militar Obrigatório, há precisamente 10 anos.

Para Maria Luísa Godinho, a presença militar em Elvas era sinónimo de "segurança" porque nos últimos tempos os roubos "aumentaram" após a saída da tropa daquela cidade alentejana.

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"Havia mais segurança"

"Nesse tempo havia tropa por todo lado, havia mais segurança", constatou também António Moisés de 79 anos, residente na zona do antigo quartel.

"Nestas tascas aqui na zona, junto à porta de armas, tudo se governava, mas agora está tudo fechado, não há movimento, a cidade morreu", afirmou.

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António Moisés prosseguiu recordando que "em qualquer lado" se avistavam soldados "a petiscar, a fazer vida", a frequentar o comércio para comprar "qualquer coisa para as namoradas ou para oferecer à família, mas tudo isso acabou".

A mesma opinião é partilhada por Henrique Borrego, que relatou à Lusa que "em qualquer tasca" se encontrava um tropa e que nos dias de hoje a "sua" cidade se transformou num "monte".

"Cidade ressentiu-se"

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Em declarações à Lusa, o presidente do município, Nuno Mocinha, reconheceu que a cidade "se ressentiu" com a partida dos militares, mas apontou projetos para, no futuro, dar a volta à situação, uma vez que a maioria dos prédios militares passou para as mãos da câmara para serem revitalizados.

"Elvas era antes uma cidade que tinha praticamente mais dois mil habitantes e deixou de ter, eram pessoas que acabavam por consumir, por dinamizar a nossa cidade, iam à nossa restauração, ao nosso comércio e foi isso que se acabou por perder", constatou.

Nuno Mocinha, que se congratulou com a transformação do Regimento de Infantaria 8 em museu militar, pertencendo à Rede Portuguesa de Museus, acredita que Elvas vai voltar a atrair "mais visitantes" através da classificação como Património Mundial pela UNESCO.

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Museu militar

No antigo quartel, tutelado pelo Exército, está aberto ao público desde 2009 o Museu Militar de Elvas, dirigido pelo coronel Aragão Varandas que ainda desempenhou funções de comandante daquela unidade no tempo em que o serviço militar era obrigatório.

O oficial explicou que o quartel tinha como "principal missão" a instrução auto de viaturas pesadas, formando de quatro em quatro meses, em média, "450 a 500" condutores (soldados) de viaturas pesadas.

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De acordo com Aragão Varandas, viviam no Regimento de Infantaria 8, que possui uma área de 15 hectares, apresentando uma área de património coberto de cerca de quatro hectares, "cerca de 1200 pessoas".

Atualmente, para garantir a manutenção, conservação, restauro e assegurar as visitas ao museu, trabalha naquele espaço um efetivo de 42 pessoas, a maioria militares.

Após a classificação das fortificações de Elvas como Património Mundial, as visitas ao Museu Militar de Elvas têm vindo a aumentar, à semelhança das saudades que a população sente da vivência militar naquela cidade.

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