Empresa do Norte ajuda a reparar telhados em Leiria

Vinte trabalhadores estão a ajudar a reparar casas na Boa Vista onde ainda há falhas de energia e de comunicações.

03 de fevereiro de 2026 às 13:55
Depressão Kristin deixa rasto de destruição na aldeia de Barracão, concelho de Leiria Foto: Ricardo Almeida
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Vinte trabalhadores de uma empresa de Felgueiras estão, esta terça-feira, a ajudar a reparar telhados na Boa Vista, uma localidade a 10 quilómetros de Leiria onde muitas casas ficaram sem telhas e ainda há falhas de energia e de comunicações.

"O telhado tinha uma chaminé tombada em cima de fios de alta tensão e estava completamente destelhado. Fizemos a retirada da chaminé com o auxílio do nosso camião grua e estamos a colocar as telhas e a chaminé", contou, esta terça-feira, à agência Lusa Bruna Magalhães, da empresa Pedrigosende.

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A proprietária da casa Célia Barbeiro, 70 anos, disse que esta é uma "ajuda que caiu do céu".

"Foi muito bom mesmo. A casa ficou destelhada, ficou toda inundada e sem ser possível habitar, inclusivamente dormir porque os quartos estavam cheios de água", referiu a septuagenária que espera já poder dormir em sua casa esta terça-feira.

Com o telhado arranjado, falta limpar. "Foi muito assustador, a partir das 04:00 foi um caos, metia mesmo medo, estava a ver que ficava aqui soterrada", recordou Célia Barbeiro, que destacou ainda as dificuldades sentidas para conseguir arranjar quem a ajudasse nas reparações.

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"Somos uma empresa de construção civil situada no Norte do país e estamos em Leiria porque vimos que existia aqui uma necessidade de mão-de-obra e de materiais e o meu chefe, o Carlos Magalhães, decidiu voluntariar-se e adquirir um camião com cerca de 3.000 telhas e outros tipos de materiais de construção", explicou Bruna Magalhães.

Para além do material, a empresa paga também o ordenado aos 20 trabalhadores, mas o serviço prestado é voluntário. O almoço tem sido oferecido por pessoas a quem ajudaram a recuperar as suas casas.

"Conseguimos dar resposta a cinco, seis casas, longe daquilo que nós temos previsto", salientou, acrescentando que a empresa "queria muito" ajudar na recuperação de escolas.

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Bruna Magalhães aproveitou para deixar um apelo "aos parceiros da construção" para que se juntem a esta empresa porque "é mesmo uma necessidade".

"Fiquei muito surpreendida, não estava à espera. A televisão retrata o que aconteceu, mas, na realidade, o povo português não tem noção de como é que Leiria está. Parece que foi um tornado", frisou.

A empresa de construção Pedrigosende é de Felgueiras e tem 110 colaboradores.

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"É uma onda de solidariedade fantástica que não sei como agradecer em nome da população", salientou o presidente de Junta de Freguesia de Santa Eufémia e Boa Vista.

Sete dias depois da tempestade, Paulo Felício, apontou como grande problema a falta de eletricidade que mantém a vida dos moradores, lojas e empresas "em suspenso". As comunicações também se fazem com muita dificuldade.

"Dava para organizar minimamente a vida", referiu, descrevendo ainda um cenário de muito cabos caídos, postes em perigo, chaminés em risco, árvores que estão sobre casas e muitas casas destelhadas.

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"Agora é mãos à obra", frisou.

Apesar de ainda permanecerem falhas na energia, esta terça-feira mesmo Carlos Mouco, 84 anos, vai reabrir o talho que tem na rua principal da Boa Vista porque foi instalado, ali perto, um gerador pela câmara de Leiria.

A carne que tinha nas arcas frigoríficas ficou estragada e agora, frisou, "é preciso começar de novo".

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"Receber a carne de novo para começar a laborar e julgamos que temos, finalmente, condições para isso. Esperamos que agora as coisas normalizem", referiu, explicando que a manhã foi de limpezas, de ligar as arcas e de fechar as portas para refrescarem.

Questionado se os prejuízos foram elevados respondeu: - "Foi um bocado grande". É que aos prejuízos no talho acrescem os verificados na casa, que apanhou com estruturas que voaram dos vizinhos.

Sem saber quando volta a abrir as portas está uma oficina de reparação de automóveis e de equipamentos para a agricultura. A proprietária, que não se quis identificar, apontou como grande problema a falta de mão-de-obra e de materiais para fazer a reconstrução.

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"Os pavilhões ficaram completamente destruídos, são milhões de estragos", referiu, acrescentando que a empresa emprega 11 pessoas, e ainda não tem luz, comunicações e que, apesar de ter água, tem as canalizações partidas.

Às dificuldades deixadas pela passagem da depressão Kristin, há outras que vão surgindo.

"Segunda-feira foi colocado um gerador que possibilita que as casas tenham energia e banhos quentes, infelizmente aquilo não durou oito horas porque os amigos do alheio encarregaram-se logo de cortar e roubar o cobre. Enquanto uns estão a trabalhar por um lado e a tentar ajudar, outros estão a tentar aproveitar-se", lamentou o presidente da Junta, Paulo Felício, que garantiu que a situação está a ser resolvida.

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No pavilhão desportivo de Santa Eufémia juntaram-se esta manhã voluntários, alguns deles escuteiros.

"Vamos fazer a limpeza de ruas, já temos algumas zonas identificadas e algumas casas que precisam de ajuda", contou a escuteira Cátia Guarda, explicando que vão ajudar a limpar telhas que estão no chão e entulho.

Um dos voluntários, com apenas 10 anos, disse querer ajudar e que a sua escola "está toda destruída" e que, por isso, "muitos não vão ter aulas esta semana".

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Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo e Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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