Empresários alertam para redução significativa de lugares aéreos nos Açores

Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada alertou ainda para a ausência de alternativas após a saída da Ryanair da região.

15 de abril de 2026 às 17:19
Aeroporto Ponta Delgada, Açores Foto: José António Rodrigues / Correio da Manhã
Partilhar

A Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) alertou esta quarta-feira para uma redução significativa na capacidade aérea para os Açores no verão e para a ausência de alternativas após a saída da Ryanair da região.

Segundo a direção da associação empresarial das ilhas de São Miguel e Santa Maria, a oferta de lugares aéreos para os Açores vai ter "uma redução global de -11,57%, correspondente a menos 130 mil lugares face ao período homólogo de 2025, nas cinco 'gateways' dos Açores", com o maior impacto a registar-se em Ponta Delgada, que "perde mais de 110 mil lugares aéreos".

Pub

Em comunicado de imprensa, a CCIPD adianta que analisou a evolução da oferta de lugares aéreos para os Açores no verão de 2026, com base nos dados disponibilizados no portal da Visitazores.

A Câmara do Comércio aponta que o cenário é particularmente preocupante no aeroporto João Paulo II, principal porta de entrada da região, que regista "uma redução de -13,22%, passando de 851.907 para 739.252 lugares, o que representa uma perda superior a 110 mil lugares aéreos num único período de verão".

Para a CCIPD, "esta contração reflete uma alteração estrutural relevante no mercado aéreo regional, sendo particularmente preocupante o impacto verificado no principal 'gateway' da região --- o aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada", na ilha de São Miguel.

Pub

"Esta diminuição não só é a mais expressiva entre os aeroportos açorianos, como não está a ser compensada por outras companhias aéreas, traduzindo-se numa efetiva redução da acessibilidade aérea ao principal destino turístico da região", assinala.

A associação empresarial aponta que esta redução da acessibilidade aérea ocorre "em contraciclo com o contexto que se verifica em Portugal continental", que "está a beneficiar da conjuntura internacional, atraindo fluxos turísticos" desviados de regiões afetadas pelos conflitos no Médio Oriente.

A associação empresarial refere ainda que, nos restantes aeroportos dos Açores, a tendência é também de queda, embora menos acentuada.

Pub

A Terceira (Lajes) perde cerca de 19 mil lugares e Santa Maria regista uma diminuição de cerca de 3 mil lugares, tendo em conta também a redução de lugares da Azores Airlines e da SATA Air Açores, refere a CCIPD.

"Em contraciclo, o Pico (+432 lugares) e Horta (+2.058 lugares) apresentam crescimentos, ainda que com expressão limitada no total regional", diz ainda a associação empresarial, salientando que "este padrão confirma que a quebra de capacidade está fortemente concentrada em Ponta Delgada, sem uma redistribuição suficiente para outros 'gateways'".

Para a Câmara do Comércio, estes dados relativos ao verão de 2026 "evidenciam uma situação particularmente preocupante para o aeroporto de Ponta Delgada e para a acessibilidade aérea dos Açores", associada "à não substituição da oferta anteriormente assegurada pela Ryanair".

Pub

A situação, acrescenta, suscita "sérias preocupações relativamente à manutenção dos postos de trabalho e à contratação sazonal que impacta diretamente na atividade turística e no seu efeito multiplicador na economia".

A direção da CCIPD considera, por isso, "imprescindível" a implementação de "políticas ativas de captação de rotas e de consolidação da conectividade aérea" para mitigar os efeitos desta contração e assegurar a sustentabilidade do turismo regional.

Em janeiro, o presidente executivo da Ryanair, Michael O'Leary, disse, em entrevista à agência Lusa, que a companhia aérea iria encerrar a base nos Açores no fim de março, rejeitando qualquer possibilidade de recuo, o que efetivamente aconteceu.

Pub

O Governo Regional dos Açores ainda tentou, sem sucesso, que a companhia mantivesse a operação na região, iniciada em 2015.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar