Espanha sublinha que já adotou recomendações de relatório europeu relativas ao apagão
Apagão deveu-se a múltiplos fatores, uma situação que pode ser corrigida com a adoção de algumas medidas.
O Governo espanhol disse esta sexta-feira que já adotou recomendações do relatório de peritos europeus sobre o apagão de 28 de abril de 2025 na Península Ibérica, conhecido esta sexta-feira, e admitiu seguir outras, quando analisar o documento.
Fontes do Ministério para a Transição Ecológica de Espanha, citadas pela agência de notícias EFE, realçaram que as conclusões do relatório coincidem com as do grupo de avaliação ao apagão elétrico criado pelo Governo espanhol, conhecido em junho do ano passado, segundo as quais o episódio teve "uma origem multifatorial" e "produziu-se por sobretensão".
O relatório dos peritos da Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte (Entso-e) concluiu que o apagão, inédito e com origem em Espanha, se deveu a múltiplos fatores, numa situação que pode porém ser corrigida com a adoção de algumas medidas, integrando 22 recomendações.
Governo espanhol disse esta sexta-feira, através das mesmas fontes citadas pela EFE, que várias das recomendações estão já a implementar-se ou em processo de serem integradas na legislação espanhola, como a revisão do regulamento aplicável ao controlo de tensão ou às oscilações de tensão ou uma maior coordenação de todos os agentes do sistema elétrico.
O Ministério para a Transição Ecológica estudará agora "o extenso relatório com detalhe" e adotará "todas as propostas que contribuam para o incremento da robustez do sistema elétrico", garantiu o Governo espanhol.
Em 28 de abril de 2025, a Península Ibérica sofreu uma falha elétrica que deixou milhares de pessoas às escuras em Espanha e Portugal por várias horas, sem acesso a transportes, comunicações e serviços básicos.
O apagão, com origem em Espanha, ocorreu às 12:33 locais (11:33 em Lisboa).
Os peritos europeus que investigaram o apagão concluíram que o incidente resultou de múltiplos fatores técnicos, mas não atribuíram responsabilidades legais, remetendo essa avaliação para as autoridades nacionais.
A investigação identificou uma combinação de fatores, incluindo limites de tensão diferenciados, baixa carga nas linhas, falhas em sistemas de proteção e insuficiências no controlo dinâmico da tensão.
Entre os elementos analisados esteve também o comportamento de unidades de produção renovável, mas em resposta a perguntas dos jornalistas os peritos rejeitaram uma relação direta entre o apagão e este tipo de energia.
Os peritos formularam algumas recomendações, nomeadamente o reforço do controlo de tensão e da coordenação entre produção, distribuição e transporte de eletricidade.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt