Estudantes apelam a que não haja novas mudanças no calendário dos exames
Alunos pedem que sejam apuradas as causas das falhas no novo processo de avaliação.
Os estudantes do ensino secundário estão preocupados com as alterações do calendário dos exames nacionais e pedem que não haja novas mudanças e sejam apuradas as causas das falhas no novo processo de avaliação.
"O adiamento dos resultados dos exames é uma situação que nos preocupa, porque os exames nacionais são um momento decisivo na vida académica. O ideal seria não terem adiado os exames, mas neste momento o foco é que se mantenham as novas datas", disse à Lusa Francisco Garcia, presidente do Conselho Nacional de Juventude, a plataforma que representa associações juvenis, escutistas, estudantis e das juventudes partidárias de todo o país.
Os problemas no processo de correção dos exames nacionais do secundário levaram ao adiamento da data de divulgação dos resultados da 1.ª fase dos exames e à alteração das datas da 2.ª fase, uma situação que, segundo Francisco Garcia, está a afetar "milhares de estudantes" num dos momentos mais determinantes do seu percurso académico.
"A forma como decorreu o processo e a alteração das datas mexeu com a previsibilidade que os estudantes têm do sistema educativo. Os estudantes prepararam-se durante dois ou três anos para os exames e o mínimo que se exige ao Estado é que garanta um grau de previsibilidade, até porque o stresse e a pressão aumentam nestas épocas e era fundamental para mitigar essa pressão ter prazos estáveis e transparentes e a garantia de uma avaliação justa", disse.
Os estudantes não estão contra a digitalização nem a nova forma de avaliar os exames nacionais, mas criticam que não tivesse sido acautelado "um plano B": "O que os preocupa é terem escolhido um modelo diferente e ele não ter funcionado".
Os estudantes aguardam agora pela divulgação dos resultados das provas no dia 17, três dias mais tarde do inicialmente definido, e pedem que seja garantida "a justiça e o rigor da avaliação".
"Claro que temos receio que possa haver falhas, mas acreditamos que tal não esteja em causa", afirmou Francisco Garcia, voltando a reforçar que "a prioridade é garantir que não existem mais adiamentos e que se mantêm a justiça e rigor das provas".
O ministro da Educação Fernando Alexandre anunciou uma auditoria ao processo e os estudantes também defendem que "sejam apuradas as causas".
"O CNJ enquanto plataforma lutará sempre por um sistema educativo mais justo e mais dotado de infraestruturas. É importante retirar as devidas conclusões e reforçar o investimento público no sistema educativo, assegurando que as infraestruturas, os meios tecnológicos e os recursos disponíveis estão à altura da responsabilidade que o Estado exige aos estudantes", defendeu.
O ministro da Educação garantiu na quinta-feira que o processo de correção de exames nacionais está controlado, indicando que já estavam corrigidas mais de 75% das provas.
Em declarações aos jornalistas em Coimbra, disse que os professores "estão a corrigir as provas muito rapidamente, porque este modelo é muito mais eficiente" e que "há muitas provas que estão distribuídas que ainda precisam de correções, porque foram distribuídas na fase inicial e tinham erros".
Fernando Alexandre recordou que os alunos, tal como os professores, "vão ter a possibilidade, pela primeira vez, de verificarem que a prova que fizeram é aquela que foi corrigida, com as correções", que podem ser consultadas, e, "por isso, não há forma mais transparente de garantir a validade das notas".
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