Estudo indica que rapazes com visão tradicional de masculinidade podem estar associados a delinquência juvenil

Estudo contou com 231 rapazes com 18 e 19 anos e foi realizado por investigadores do ISPA – Instituto Universitário.

11 de maio de 2026 às 16:02
Investigação Foto: Getty Images
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Jovens com visões mais tradicionais da masculinidade relataram mais comportamentos de delinquência num estudo com 231 rapazes com 18 e 19 anos realizado por investigadores do ISPA – Instituto Universitário, foi esta segunda-feira divulgado.

“O comportamento delinquente de homens jovens pode estar associado, não só às experiências de adversidade vividas na infância, mas também às normas de masculinidade ensinadas aos rapazes”, observa, em comunicado, o investigador Afonso Borja-Santos, do William James Center for Research/Ispa – Instituto Universitário de Ciências Psicológicas, Sociais e da Vida.

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De acordo com o docente, os resultados da investigação “sugerem que a forma como os rapazes são socializados pode desempenhar um papel importante na compreensão da delinquência juvenil”.

No estudo, a conformidade com normas masculinas tradicionais apresentou, no modelo estatístico, “um poder preditivo comparável ao do das experiências de adversidade na infância, um dos fatores de risco mais reconhecidos na literatura científica sobre a delinquência”.

“Estas experiências de adversidade na infância e a conformidade com as normas masculinas explicaram, em conjunto, 19,4% da variação nos comportamentos de delinquência”, refere Borja-Santos, assinalando que o objetivo da análise “não é responsabilizar ou estigmatizar rapazes ou homens, mas sim questionar normas sociais que lhes são impostas desde cedo”.

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Nesta investigação, as normas de masculinidade tradicionais referem-se “às expetativas sociais e culturais sobre como rapazes e homens ‘devem’ comportar-se para serem vistos como masculinos”.

O psicólogo dá como exemplo desta masculinidade tradicional “mostrar coragem através da tomada de risco, esconder emoções, evitar pedir ajuda, valorizar a força física, aceitar a violência como forma de afirmação, procurar demonstrar domínio sobre os outros ou muitas parceiras sexuais”.

Estas normas, alerta, “não são características naturais ou inevitáveis dos homens, mas padrões aprendidos através da socialização”.

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Já os comportamentos de delinquência “referem-se a infrações como furtos, destruição de propriedade, condução sem carta, porte de arma ou venda de drogas”.

No mesmo estudo, metade dos participantes relatou algum grau de atração por pessoas do mesmo sexo.

Isto é “compatível com tendências observadas noutros países ocidentais” e “reforça a ideia de que a masculinidade entre os jovens pode estar a tornar-se mais flexível”, de acordo com o investigador.

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“Este resultado é particularmente relevante por se tratar de uma amostra exclusivamente masculina. Ainda assim, está alinhado com tendências observadas noutras sondagens realizadas em países ocidentais, que apontam para uma maior abertura na forma como as gerações mais jovens descrevem a sua sexualidade”, afirma.

A integração da sexualidade no estudo “ajudou a perceber como os jovens se posicionam perante normas tradicionais de masculinidade, que historicamente associavam ‘ser homem’ à heterossexualidade, à rejeição do feminino e à distância face à homossexualidade”.

“Por se tratar de um estudo transversal e baseado em autorrelato, os resultados não permitem estabelecer relações de causa-efeito. Ainda assim, apontam para a importância de incluir as normas de género nas estratégias de prevenção da delinquência juvenil”, observa.

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O estudo “Behind The Masc: The Role of Conformity to Masculine Norms and Childhood Experiences in Deviant Behaviour” foi desenvolvido por Afonso Borja-Santos, Ana Cristina Martins, Ana Rita Cruz, e Andreia de Castro Rodrigues.

A investigação foi publicada a 07 de maio na revista oficial da British Society of Criminology, Criminology & Criminal Justice.

O William James Center for Research é uma unidade de Investigação e Desenvolvimento (I&D) de Psicologia.

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