Estudo revela que portos europeus, incluindo o de Lisboa, estão a falhar no combate à poluição do ar

Investigação revela que apenas 20% das infraestruturas de energia elétrica em terra necessárias na UE foram instaladas ou colocadas em funcionamento nos principais portos.

15 de julho de 2025 às 19:16
Navio Foto: Getty Images
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Os portos europeus, incluindo o de Lisboa, estão a falhar no combate à poluição do ar, continuando sem investir nas infraestruturas elétricas necessárias em terra, alerta um estudo divulgado esta terça-feira.

De acordo com o documento, Lisboa não fez qualquer investimento e só quatro dos 30 maiores portos da Europa investiram em, pelo menos, metade das infraestruturas elétricas necessárias. Se o tivessem feito tal reduziria drasticamente a poluição do ar e as emissões de dióxido de carbono (CO2) quando os navios estão nos portos.

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O estudo, feito para a organização de ambiente Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E) indica que até hoje apenas 20% das infraestruturas de energia elétrica em terra necessárias na UE foram instaladas ou colocadas em funcionamento nos principais portos.

Tal significa, diz a organização, que a maioria dos navios porta-contentores, navios de cruzeiro e ferries continuam a funcionar com combustíveis fósseis enquanto estão atracados.

A T&E, que junta organizações não-governamentais da área dos transportes e ambiente, promovendo transportes sustentáveis, apela num comunicado sobre o estudo à adoção de medidas portuárias "mais ambiciosas para reduzir drasticamente a poluição atmosférica e as emissões desnecessárias dos navios atracados".

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Segundo a organização, mais de 6% das emissões marítimas de CO2 da UE provêm de navios que funcionam com combustíveis fósseis nos portos. Além do CO2, os navios também emitem grandes quantidades de óxidos de enxofre (SOx), óxidos de azoto (NOx) e partículas (PM), que têm efeitos significativos na saúde humana.

No âmbito do Pacto Ecológico Europeu, recorda a T&E, os portos da UE são obrigados a fornecer eletricidade aos navios a partir de terra até 2030.

De acordo com o estudo encomendado, os portos de Antuérpia, Dublin, Gdansk e Lisboa estão entre os que ainda não investiram em qualquer infraestrutura elétrica plug-in. Os portos de Roterdão, Barcelona, Valência, Bremerhaven e Le Havre também apresentam um fraco desempenho em termos de esforços para cumprir o mandato da UE.

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Os portos de Algeciras e Hamburgo são responsáveis por uma grande parte da potência instalada em terra, aos quais se juntam Livorno, Swinoujscie e Valletta.

A T&E apela à UE para que antecipe os requisitos de energia em terra para os navios de cruzeiro para 2028. 

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