Ex-ministra diz que portugueses "sabem retirar ilações" sobre greve do INEM
Ex-governante lembrou o caso que motivou a sua demissão como exemplo da postura que defende quanto à assunção de responsabilidade política.
A antiga ministra da Saúde Marta Temido afirmou esta quinta-feira que "os portugueses sabem retirar ilações", quando questionada sobre se a greve do INEM no final de 2024 "ficou órfã de responsabilização política".
Falando na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019, Marta Temido reiterou que "em cada momento há eleições" e que "os portugueses sabem retirar ilações".
A ex-governante lembrou que o caso da grávida que motivou a sua demissão, em 2022, é exemplo da postura que defende quanto à assunção de responsabilidade política.
"O caso (...) levou à minha demissão. É essa a postura que defendo: que se assumam responsabilidades políticas quando não há outras que possam ser identificadas", salientou a eurodeputada socialista.
Durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH), entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, registaram-se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).
Marta Temido recordou que, durante o seu mandato, entre 2018 e 2022, o setor da saúde foi "pródigo em greves", envolvendo várias áreas com impacto direto ou indireto no funcionamento dos serviços.
Aos deputados, disse ter lidado com esses processos "com a máxima cautela", acompanhando pré-avisos e articulando serviços mínimos.
Questionada sobre se alguma greve no seu período teve impacto em mortes, recusou estabelecer relações diretas.
"Nós não fazemos nexos de causalidade desta gravidade com leviandade", sublinhou.
A antiga ministra da Saúde referiu ainda que existe sempre "um terror" de que uma greve possa afetar "de forma irremediável" a atividade assistencial, razão pela qual são evitadas "até à última instância" e preparadas "com o máximo cuidado" quando inevitáveis.
Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
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