Ex-provedor Santa Casa da Misericórdia de Lisboa diz que negócio com o filho é “coincidência”

Empresa do filho de Edmundo Martinho foi contratada para o negócio das NFT (venda de bens digitais únicos) da instituição.

09 de maio de 2024 às 01:30
Foto: António Pedro Santos/Lusa
Foto: Pedro Catarino
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O antigo provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa Edmundo Martinho disse esta quarta-feira que foi uma “coincidência das coincidências” ter sido contratada a empresa do filho para o negócio das NFT (venda de bens digitais únicos) da instituição.

Na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, o ex-dirigente explicou que pediu ao filho “a título gratuito” para fazer uma apresentação sobre esse tipo de negócios, apontando que só a empresa onde ele trabalhava estava “autorizada pelo regulador para fazer transações de criptomoeda para moeda corrente”, algo necessário já que a Santa Casa “estava impedida de deter qualquer conta em criptomoeda”. Porém, havia mais três empresas registadas na altura.

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“Felizmente ou infelizmente, tivemos muito poucas vendas”, referiu Edmundo Martinho, já que o investimento de meio milhão de euros acabou por gerar apenas seis mil euros aos cofres da Santa Casa.

Na audiência, o antigo provedor garantiu que o anterior Governo “foi sempre informado de forma detalhada do que se estava a passar” na expansão do negócio para o Brasil, sublinhando que o Ministério da Segurança Social, na altura liderado por Ana Mendes Godinho, nunca fez “pedidos adicionais de informação” acerca do processo e dos montantes envolvidos.

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Martinho considerou ainda “bizarro” que não tenha recebido “um único contacto” da Santa Casa, considerando que “era previsível” a saída da provedora Ana Jorge.

O ex-provedor deixou o alerta que por trás da polémica na Santa Casa estará uma eventual “intenção de privatizar os jogos sociais”, que garantiu ser “um erro fatal”.

‘Vice’ acusa ministra de mentir

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A vice-provedora demissionária da Santa Casa, Ana Vitória Azevedo, acusou esta quarta-feira a ministra do Trabalho de “dizer coisas que não são verdade” acerca dos supostos benefícios retirados pela administração. “Eu sei, e isso até me choca, que a Mesa da Santa Casa não teve nenhum benefício para si e gostava que a senhora ministra explicasse que benefício foi esse”, apontou a gestora, dizendo que a governante “caluniou” a Mesa.A provedora demitida da Santa Casa, Ana Jorge, negou esta quarta-feira as acusações da ministra do Trabalho, que disse que os administradores se teriam “beneficiado a si próprios” por terem recebido aumentos. “Nego profundamente essa declaração e é preciso justificar qual é o benefício próprio”, disse a dirigente exonerada, em entrevista à Renascença. Ana Jorge admitiu que o ano que passou à frente da Santa Casa foi “muito duro”, mas garantiu que fez “tudo para que a Santa Casa continuasse a ser a bem das pessoas”.

Brilhante Dias nega ter ação no negócio

Ouvido na Comissão que o próprio preside, o ex-secretário de Estado da Internacionalização Eurico Brilhante Dias negou ter tido intervenção no negócio da Santa Casa no Brasil, afirmando que “não me compete a mim as opções” das empresas. O deputado revelou ter tido “duas reuniões” a pedido pelo ex-provedor da Santa Casa Edmundo Martinho, onde foi “assinalada de forma clara a vontade de internacionalizar”.

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Ana Jorge nega benefício pessoal

A provedora demitida da Santa Casa, Ana Jorge, negou esta quarta-feira as acusações da ministra do Trabalho, que disse que os administradores se teriam “beneficiado a si próprios” por terem recebido aumentos. “Nego profundamente essa declaração e é preciso justificar qual é o benefício próprio”, disse a dirigente exonerada, em entrevista à Renascença. Ana Jorge admitiu que o ano que passou à frente da Santa Casa foi “muito duro”, mas garantiu que fez “tudo para que a Santa Casa continuasse a ser a bem das pessoas”.

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