Exploração de Santarém acusada de maus tratos a suínos vai ser alvo de auditoria
Foi divulgada uma reportagem com imagens recolhidas na Quinta da Granja, entre janeiro e fevereiro, nas quais são vistos suínos mortos, feridos e doentes.
A Quinta da Granja, uma exploração de suínos da freguesia de Almoster, Santarém, acusada de maus tratos aos animais, vai ser alvo de uma auditoria para apurar os factos, avançou este domingo a Filporc, que repudiou o caso.
"Tomando conhecimento da situação, a Filporc deu indicações imediatas ao organismo de controlo para diligenciar nova auditoria e espoletar procedimentos para apurar todos os factos e em toda a sua extensão", adiantou hoje, em comunicado, a Filporc -- Associação Interprofissional da Fileira da Carne de Porco.
A RTP divulgou, esta sexta-feira, uma reportagem com imagens recolhidas na Quinta da Granja, entre janeiro e fevereiro, nas quais são vistos suínos mortos, feridos e doentes.
Os pavilhões apresentam zonas degradadas e os corredores de acesso às boxes estão cobertos de fezes, lama e sangue.
A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) determinou a apresentação imediata de um plano de ação com medidas corretivas.
A Quinta da Granja, que pertence ao ValGrupo, aderiu ao programa de bem-estar animal da Filporc em 2023.
No âmbito deste processo, foi sujeita a auditorias anuais, tendo a última sido realizada em julho de 2025.
"Nunca os auditores de bem-estar animal ou a equipa técnica da Filporc presenciaram situações como as que foram transmitidas na referida reportagem", assegurou a associação.
Também hoje, a Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores (FPAS) disse, em comunicado, que as imagens divulgadas não representam o setor, que vincou ser altamente regulado e fiscalizado.
A FPAS espera ainda que sejam esclarecidas as circunstâncias e apuradas todas as responsabilidades e ressalvou que o facto de o setor se estar a reerguer dos prejuízos causados pelo mau tempo "não deve servir de álibi para justificar qualquer situação de incúria no maneio dos animais".
Contudo, lamentou que as imagens estigmatizem as empresas e os empresários do setor.
No sábado, a Associação Portuguesa dos Industriais de Carnes (APIC) esclareceu que, em Portugal, o abate de animais carece da aprovação prévia de um médico veterinário oficial, encarregue de assegurar a inspeção sanitária dos animais vivos e de validar a aptidão da carne destinada ao consumo humano.
"A produção de carne em Portugal assenta, assim num sistema robusto, transparente e devidamente fiscalizado, que assegura que apenas produtos que cumprem integralmente todos os requisitos legais chegam ao mercado", sublinhou.
A Lusa contactou o Valgrupo e o Ministério da Agricultura e aguarda uma resposta.
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