Falta de apoio obriga população de Escalos de Cima a fazer pela vida

Depois de uma noite de inferno, na quarta-feira, a população acordou e começou a despertar para a realidade que a intempérie tinha deixado.

30 de janeiro de 2026 às 18:50
Chuva Foto: Pixabay
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A população de Escalos de Cima, Castelo Branco, foi surpreendida com a queda de uma árvore de grande porte na Estrada Nacional 233 e, sem hipótese de ajuda, teve que arregaçar as mangas e desimpedir a via que atravessa a localidade.

A freguesia de Escalos de Cima é atravessada pela Estrada Nacional (EN) 233, uma das principais vias de acesso que atravessam o concelho de Castelo Branco e que faz a ligação a vários concelhos, como Idanha-a-Nova ou Penamacor, e segue, para norte, em direção ao Sabugal.

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Depois de uma noite de inferno, na quarta-feira, sobretudo a partir das 04h00, a população acordou e começou a despertar para a realidade que a intempérie tinha deixado.

"O maior problema foi quando, logo pela manhã, nos deparámos com uma árvore de grande porte a cortar completamente a estrada [EN 233]. As pessoas da freguesia juntaram-se e, com o recurso aos seus próprios equipamentos, conseguiram desimpedir a via ao fim da manhã", disse à agência Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Escalos de Cima, Alexandre Pereira, que está a cumprir o primeiro mandato.

"A Proteção Civil não tinha meios para cá vir, tal era a quantidade de emergências. Tivemos de ser nós a desimpedir a estrada", um trabalho que durou praticamente toda a manhã.

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Agora, a maior preocupação está relacionada com o reestabelecimento da energia elétrica interrompida logo na noite de terça-feira.

"Ontem à noite [quinta-feira], começou a chegar a eletricidade a algumas zonas da freguesia, embora de uma forma intermitente", explicou.

Durante a manhã desta sexta-feira, cerca de 200 habitações, numa freguesia com cerca de 800 habitantes, estavam sem fornecimento de energia elétrica.

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No Café-Restaurante Duas Bicas, que fica situado na EN-233, mesmo no local onde caiu a árvore de grande porte, as portas só se abriram esta sexta-feira de manhã.

"Estivemos fechados porque não havia luz", explicou, resignada, Ana Barata, que tem a seu cargo mais três empregados.

A proprietária ainda não fez contas ao prejuízo causado, mas, apesar de ter aberto as portas, o serviço está apenas a "meio gás".

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"Já tenho eletricidade, mas não posso ligar todos os aparelhos que preciso, porque o quadro vai logo abaixo. O maior problema são os fornos, porque preciso deles para o restaurante", disse.

Já a sua residência continua sem energia elétrica: "Não é fácil! Tenho recorrido à casa da minha filha, onde vou comer. Depois, fico por lá mais tempo e quando regresso é mais fácil. Vou dormir", desabafou.

A uns 50 metros do café-restaurante está um mini-mercado que também reabriu esta sexta-feira de manhã, quando finalmente foi restabelecido o fornecimento de energia elétrica naquela zona da freguesia.

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"Tive o estabelecimento fechado durante estes dias. Felizmente, as arcas [frigoríficas] conseguiram aguentar-se", disse à agência Lusa Cristina Prata.

A proprietária do mini-mercado explicou que a sua sorte foi ter-se esquecido de regular a temperatura das arcas frigoríficas do estabelecimento.

"Costumo baixar a temperatura no verão, pois o calor por aqui é muito. Este ano, ainda não tinha aumentado a temperatura das arcas, o que, felizmente, contribuiu para que se aguentassem até hoje e evitaram prejuízos maiores", referiu, com um sorriso de quem acabou de ganhar a lotaria.

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Já na sua residência, a história é outra. Continua sem ter energia elétrica e diz que aquilo que lhe tem valido é um fogão a gás que tinha arrumado.

"Tive de o ir buscar. Mas o pior é estar sem televisão e computador", lamentou.

Na freguesia, o Centro de Dia, que fica logo à entrada, também foi afetado, mas a situação foi resolvida com o recurso a um gerador que ali foi colocado.

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Alexandre Pereira disse ainda que na freguesia há vários caminhos que têm sido desimpedidos pela Junta de Freguesia.

Agora, o momento é para avaliar os prejuízos e esperar que as ajudas cheguem para reparar aquilo que foi destruído na freguesia.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

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Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

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