Falta de lampreia obriga Câmara de Penacova a cancelar festival

"Um evento gastronómico pressupõe abundância e, neste momento, a lampreia é pouca e muito cara", aclarou o autarca.

21 de fevereiro de 2024 às 15:48
Lampreia com batatas assadas Foto: Simão Filho
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A Câmara de Penacova decidiu cancelar o Festival da Lampreia, que normalmente decorria em fevereiro, face à escassez daquele peixe, afirmou hoje o presidente do município, que vai organizar um colóquio para debater o declínio da espécie em Portugal.

O Festival da Lampreia, que normalmente decorria no final do mês, foi cancelado devido à falta de lampreia, disse à agência Lusa Álvaro Coimbra, referindo que o período para a lampreia vai até abril, mas não se prevê que haja uma grande alteração face ao cenário atual.

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Em 2022, o município foi obrigado a suspender o festival também face à escassez daquela espécie que se reproduz no rio Mondego, tendo depois realizado o certame em abril.

"Um evento gastronómico pressupõe abundância e, neste momento, a lampreia é pouca e muito cara", aclarou o autarca.

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Por aquele concelho ser conhecido como uma referência na confeção da lampreia, Álvaro Coimbra decidiu avançar com um colóquio para abordar o declínio da espécie no território português, num evento que terá também como intenção exigir medidas para que o atual cenário seja revertido.

Organizado pela Câmara de Penacova e pela Confraria da Lampreia de Penacova, em colaboração com o Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, o colóquio irá decorrer no sábado, no auditório municipal.

"Tendo em conta que somos conhecidos como a capital da lampreia, tínhamos de fazer alguma coisa e convidar a comunidade científica para debater esta questão", referiu Álvaro Coimbra.

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Segundo o presidente da Câmara de Penacova, serão também convidadas "uma série de entidades públicas ligadas ao setor", a quem serão apresentadas propostas de medidas para assegurar a preservação da espécie nos rios portugueses.

Álvaro Coimbra admitiu a possibilidade de se proibir a pesca da lampreia, salientando que, para o município, "em primeiro lugar, está a preservação da espécie".

Jorge Cota, proprietário e gerente do restaurante Cota, em Penacova, afirma que este tem sido o pior ano de que tem memória.

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Se em 2022, que foi um ano muito mau, tinham de vender a lampreia entre 90 e 100 euros ao cliente, este ano o preço fixa-se entre os 150 e os 160 euros por lampreia inteira, face à escassez.

No entanto, não é o preço que tem afastado os clientes, mas sim a falta do peixe, notou.

"No domingo, tive mais de 50 chamadas para lampreia e tive de dizer que não havia", disse Jorge Cota, referindo que tem reservas que poderão ser canceladas porque não terá "lampreia para satisfazer" os comensais.

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Também no restaurante Boa Viagem, no Porto da Raiva, o cenário é idêntico.

"Hoje, não temos nenhuma lampreia. Tivemos reservas que tivemos de desmarcar e todas as reservas que temos estão sujeitas a confirmação", disse Irina Santos, empregada do restaurante, salientando que a procura mantém-se, mesmo com o custo de uma lampreia inteira fixado nos 150 euros.

JGA // SSS

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Lusa/Fim

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