Federação Agrícola dos Açores alerta para "subida abrupta" dos preços dos combustíveis

Gasóleo agrícola vai passar a custar 1,633 euros por litro.

28 de abril de 2026 às 19:49
Combustíveis Foto: Luís Guerreiro
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A Federação Agrícola dos Açores (FAA) manifestou esta terça-feira "preocupação e indignação" face à possibilidade de uma "subida abrupta" na região dos preços dos combustíveis a partir de sexta-feira.

Esta terça-feira à tarde a RTP Açores noticiou que a partir de sexta-feira o gasóleo rodoviário vai subir 36,3 cêntimos por litro, enquanto a gasolina sem chumbo 95 octanas sobe 21,7 cêntimos por litro e o gás sobe também 36,9 cêntimos por quilo. O gasóleo agrícola vai passar a custar 1,633 euros por litro.

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"Estamos perante um aumento brutal nas contas dos agricultores, num momento já de si muito difícil", sublinha o presidente da FAA, Jorge Rita, citado num comunicado da federação.

Na nota, a FAA considera tratar-se de uma "subida escandalosa e sem precedentes, que surge numa altura em que os agricultores estão a realizar a maior parte dos trabalhos no terreno, como sementeiras, plantio e colheitas".

A agência Lusa questionou o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) sobre os preços dos combustíveis para maio (nos Açores os preços dos combustíveis são atualizados mensalmente), mas aguarda ainda uma resposta do executivo liderado por José Manuel Bolieiro.

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No comunicado, o presidente da FAA salienta que o aumento revelado pela RTP "agrava significativamente os custos de produção, já pressionados pela subida dos fertilizantes e pela recente descida do preço do leite ao produtor".

"Estamos perante um aumento brutal nas contas dos agricultores, num momento já de si muito difícil. Pela primeira vez, historicamente, o preço do gasóleo agrícola nos Açores é superior ao do continente, o que é absolutamente inaceitável", acrescenta, criticando a "ausência de medidas compensatórias, ao contrário do que se verifica noutros países europeus".

Também em comunicado divulgado esta terça-feira, o PS/Açores defende que o Governo Regional deve devolver às famílias e às empresas parte da receita fiscal adicional que está a arrecadar com a subida dos preços.

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Citado na nota, o líder do PS/Açores, Francisco César, acusa o Governo Regional de estar "a ganhar com esta crise receita fiscal, fruto do aumento dos preços, que faz com que receba mais impostos".

"Estamos a falar, ao longo do ano, de cerca de 25 milhões de euros. Esse dinheiro deve ser devolvido às famílias", defende o líder do PS/Açores, que participou nas jornadas parlamentares do partido, no concelho do Nordeste, ilha de São Miguel.

Ainda segundo Francisco César, o PS/Açores vai apresentar, "o mais rapidamente possível", uma resolução na Assembleia Legislativa dos Açores com um conjunto de medidas de apoio destinadas a "atenuar os impactos do aumento dos combustíveis e a contribuir para maior estabilidade no orçamento das famílias e na atividade das empresas".

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Numa nota também divulgado esta terça-feira à tarde, o Bloco de Esquerda acusa o Governo Regional de não estar a cumprir a resolução apresentada pelo partido e aprovada no parlamento açoriano "que recomenda a aplicação de um desconto direto no preço dos combustíveis -- através da redução do ISP -- durante o período em que se verifique o aumento abrupto nos mercados internacionais de modo a mitigar os efeitos do aumento dos preços".

"O Bloco defende que o Governo Regional tem de ir mais longe no desconto do ISP, para proteger a economia e as famílias dos Açores, cumprindo aquilo que o parlamento decidiu por larga maioria -- apenas o PAN não votou a favor da resolução do Bloco com medidas para desacelerar o aumento dos preços", lê-se na nota.

Os preços do petróleo têm disparado desde o início da ofensiva militar de grande escala lançada por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irão, em 28 de fevereiro, cenário que tem suscitado receios de um novo aumento da inflação e de um abrandamento da atividade económica mundial.

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