Fim de partos em Badajoz divide autarcas
Os autarcas de Elvas e de Campo Maior mostraram-se esta quinta-feira divididos quanto ao possível fim dos partos dos dois concelhos no Hospital Materno-Infantil de Badajoz (Espanha)
As críticas surgem do presidente do município de Elvas, Rondão Almeida (PS), que frisou hoje à Agência Lusa ser contra o fim dos partos em Badajoz e o encaminhamento das grávidas do seu concelho para o Hospital de Portalegre. "É uma falta de respeito" o Governo português quebrar o acordo existente com Espanha, acentuou o autarca.
Opinião contrária tem o presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, Ricardo Pinheiro (PS), que disse à Lusa ver com "bons olhos" a passagem dos partos para Portalegre, dando como exemplo a sua opção pessoal.
"Fui pai há um mês e o meu filho nasceu em Portalegre e, há três anos, a minha filha também aí nasceu. Eu acho que, quando essa opção é tomada, devem ser dadas condições ao hospital de Portalegre e manter a sua qualidade", defendeu.
A reacção dos autarcas surge na sequência de uma notícia publicada hoje pelo jornal i, que noticia que "peritos recomendam fim dos partos em Badajoz".
Segundo o jornal, a Comissão Nacional de Saúde Materna "propõe o fim" do protocolo entre Portugal e a Junta da Estremadura (Espanha) que permite os partos de grávidas de Elvas e de Campo Maior no Hospital Materno-Infantil de Badajoz.
O acordo veio colmatar o fecho da sala de partos do Hospital de Elvas, em Junho de 2006, permitindo às grávidas daquele concelho e do município de Campo Maior optarem entre o hospital de Badajoz ou os hospitais de Portalegre e de Évora.
A Comissão Nacional de Saúde Materna propõe agora que as grávidas dos dois concelhos passem a ser encaminhadas para o Hospital de Portalegre para rentabilizar a respectiva maternidade, que "em 2010 só fez 473 partos", escreve o jornal i.
A Junta da Estremadura espanhola limitou-se hoje a revelar à Lusa que o Hospital Materno-Infantil de Badajoz realizou, em 2011, 190 partos de grávidas de Elvas e de Campo Maior.
Deste total, o maior número, 97, diz respeito a partos vaginais sem complicações, seguindo-se 47 partos vaginais em que os médicos registaram complicações. As cesarianas com complicações foram 33 e as cesarianas sem complicações foram 13, acrescenta o documento da Junta da Estremadura enviado à Lusa.
"O que este Governo quer, e que eu até compreendo, é dar vida à maternidade de Portalegre com as parturientes de Elvas e Campo Maior. Mas, por favor, para manter a maternidade aberta, não sacrifiquem uma população que estava a ser bem servida", defendeu à Lusa Rondão Almeida.
O autarca questionou ainda os motivos que, caso a medida avance, irão obrigar as grávidas de Campo Maior e de Elvas a percorrer "uma hora de automóvel" para chegar a Portalegre, quando a "cinco minutos" de distância, em Badajoz, têm "a alternativa de uma prestação de serviços de qualidade".
Já o autarca de Campo Maior sublinhou que o Hospital de Portalegre "tem condições", mas sustentou que, "se o número de partos aumentar", estas devem ser melhoradas.
Num balanço efectuado pela Lusa em Novembro do ano passado, tinham nascido no Hospital de Badajoz, desde 2006 e até àquela data, quase 1.300 bebés portugueses.
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