Funcionários dos CTT da Feira em greve a partir de sexta devido a serviço "caótico"

"Os correios estão mal em todo o país, mas Santa Maria da Feira é um caso completamente à parte, por ser caótico", diz sindicalista.

17 de maio de 2022 às 12:29
ctt Foto: Getty Images
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Funcionários do centro de distribuição postal de Santa Maria da Feira estarão em greve a partir de sexta-feira devido ao estado "caótico" do serviço, anunciou esta terça-feira o Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações (SNTCT).

Atribuindo a insatisfação ao reduzido número de trabalhadores nesse concelho do distrito de Aveiro, onde o número de funcionários tem sido "insuficiente para garantir a entrega eficiente do correio", o dirigente regional e nacional do SNTCT António Pereira adiantou à Lusa que, na sexta-feira, a greve vigorará em todo o horário de expediente e que, de segunda até ao dia 27, se concentrará no período das 08:30 às 10:30.

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"Os correios estão mal em todo o país, mas Santa Maria da Feira é um caso completamente à parte, por ser caótico. Os giros são muito compridos e, se antes um carteiro já não chegava para o seu circuito e ainda tinha que fazer outro em paralelo, por haver muita gente em férias ou de baixa, agora está tudo muito pior, o correio vai-se acumulando e o que devia ser entregue no prazo de um a três dias úteis passou a demorar uma semana e até duas", declarou o sindicalista.

Reconhecendo ao quadro de pessoal da Feira "muito absentismo", António Pereira disse que o centro de distribuição do município está dimensionado para entregar 200 artigos de correio expresso por dia, assegurando a respetiva entrega aos destinatários "em 12 a 24 horas", mas, em média, "está a receber 300 a 500 diariamente -- e ainda há pouco tempo acumulou 1.400 num único dia".

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A agravar a situação, o posto deixou de contar com uma empresa de transporte subcontratada para ajudar na distribuição do correio, porque, "face ao aumento de preço dos combustíveis, ela atualizou o preço do serviço e os CTT preferiram rescindir o contrato", ficando assim com "menos três carrinhas e três pessoas para assegurar o trabalho", disse.

Feitas as contas, António Pereira sintetiza: "O centro de distribuição da Feira precisa urgentemente de mais quatro trabalhadores e quatro viaturas, no mínimo, só para assegurar a entrega do correio expresso, que envolve coisas de muita responsabilidade como faturas com prazos de pagamento, convocatórias para cirurgias, etc.. Mas, no total, para eficiência geral de todos os serviços locais dos CTT, precisa de mais sete ou oito funcionários".

Questionada pela Lusa, a direção dos CTT -- Correios de Portugal não respondeu a questões concretas como qual o número de profissionais em funções efetivas, o número de funcionários em baixa médica e a quantidade de correspondência média recebida diariamente na estrutura da Feira, mas admitiu "a existência de constrangimentos na distribuição postal no concelho".

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Segundo a empresa, esses problemas têm duas razões e a principal é "o elevado absentismo" registado no centro de distribuição, agravado nas duas últimas semanas por "infeções com covid, o que coloca uma pressão adicional sobre o normal funcionamento da rede".

A direção declarou, contudo, que "os CTT estão desde o primeiro dia a tentar mitigar essa situação, providenciando o reforço temporário de recursos através da contratação de mais colaboradores".

Quanto ao segundo aspeto que vem dificultando a distribuição, trata-se do "crescimento exponencial do 'e-commerce'" no município da Feira, "o que se traduz para os CTT em desafios diários na gestão no centro de distribuição, face à elevada volumetria de tráfego rececionado diariamente".

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Lamentando os constrangimentos causados, a direção da empresa afirma, no entanto, que "a situação ficará regularizada em breve", já que, "de forma a reduzir as perturbações na distribuição, os CTT ativaram mecanismos de contingência como, por exemplo, a distribuição ao sábado, o reforço potencial do trabalho com contratação a termo e o recurso a sistemas de ajudas pontuais com prestadores de serviço".

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