Galp não antecipa impactos materiais e ajusta cargas de petróleo devido à tensão
Galp considera que a escalada do conflito com o Irão está a aumentar a incerteza nos mercados energéticos.
A Galp considera que a escalada do conflito com o Irão está a aumentar a incerteza nos mercados energéticos, mas garantiu não registar "impactos materiais" nas operações, tendo adotado medidas preventivas como o redirecionamento de cargas de petróleo.
Durante a conferência telefónica com analistas no âmbito da apresentação dos resultados de 2025, a co-presidente executiva, Maria João Carioca, afirmou que o portfólio da empresa beneficia de um posicionamento geográfico que limita a exposição às zonas mais instáveis do mercado petrolífero internacional.
No entanto, segundo a responsável, a petrolífera adotou medidas preventivas, incluindo o redirecionamento de carregamentos de petróleo próprio ("equity oil") para reduzir eventuais riscos logísticos e assegurar a continuidade do abastecimento.
Num contexto de elevada incerteza, Maria João Carioca sublinhou que será essencial manter "uma clara concentração no desempenho operacional e numa gestão financeira disciplinada".
Nesse enquadramento, a petrolífera optou por limitar o horizonte das previsões financeiras. "Estamos a limitar o nosso 'guidance' apenas a 2026", afirmou, acrescentando que a empresa atualizará o mercado quando houver maior visibilidade estratégica.
A Galp assume um cenário prudente para o próximo ano, baseado num preço do petróleo Brent de 60 dólares por barril.
Questionada sobre a estratégia de exploração e produção, a empresa indicou que privilegia oportunidades em petróleo, afirmando que o gás não é atualmente uma área de investimento ativo nem uma prioridade no portefólio.
"O gás não é uma área em que estejamos a investir ativamente e a procurar oportunidades", sustentou.
A suspensão do trânsito no estreito de Ormuz - que separa o Irão, a norte, dos Emirados e Omã, a sul, a apenas 30 quilómetros de distância - terá um impacto nos preços do petróleo, que poderão superar os 100 dólares por barril, mas os efeitos dependem da duração do encerramento e se o conflito se alastra, consideram analistas.
"Os ataques coordenados de Israel e dos EUA contra o Irão visam explicitamente a mudança de regime e, apesar do assassinato do líder supremo, provavelmente durarão muito mais do que a ação limitada observada em 2025, quando o Brent ultrapassou brevemente os 80 dólares por barril", salientou Paolo Zanghieri, economista sénior da Generali AM, numa nota de análise.
O analista apontou que a retaliação do Irão, ao atacar Israel, bases americanas nos países do Golfo e fechar o estreito de Ormuz, "tem como objetivo pressionar os países do Golfo a procurarem a desescalada".
O fecho do Estreito de Ormuz "poderia reduzir a produção global de petróleo em cerca de 15 a 20%", segundo os cálculos do analista, que destacou que a OPEP+ decidiu aumentar a oferta em 206 mil barris por dia, o que poderia compensar a perda das exportações iranianas.
A Galp registou um resultado líquido recorde de 1,15 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 20% face ao ano anterior, anunciou esta segunda-feira a empresa.
O resultado foi impulsionado pela produção de petróleo e gás no Brasil e pela comercialização de gás natural, apesar da descida do petróleo e do dólar e da paragem programada para manutenção da refinaria de Sines.
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