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Petróleo sobe 13%, para mais de 80 dólares por barril, devido ao conflito no Irão

Transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, onde transita cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, está comprometido.

02 de março de 2026 às 12:44

Os preços do petróleo dispararam esta segunda-feira 13% na abertura dos mercados, com o conflito desencadeado pelos ataques americanos e israelitas contra o Irão e as suas repercussões no Médio Oriente a fazerem temer perturbações no abastecimento de crude.

Por volta das 23:15 GMT, o barril de Brent do Mar do Norte disparou 9,90%, para 80,16 dólares (67,84 euros), após abrir com alta de 13%. O barril de West Texas Intermediate (WTI) disparou 8,25%, para 72,55 dólares (61,40 euros), e os analistas receiam uma onda de subida de preços.

Estes números representam um salto significativo no preço do Brent, a referência internacional do petróleo, que havia gradualmente incorporado um prémio de risco geopolítico para chegar a mais de 72 dólares na sexta-feira, longe dos 61 dólares (51,62 euros) do início do ano.

Com a eclosão do conflito regional, o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, está comprometido, alertam.

"O fator mais relevante para o mercado petrolífero é a quantidade de petróleo produzida na região e a situação no estreito de Ormuz, por onde transitam diariamente cerca de 21 milhões de barris de petróleo bruto e produtos petrolíferos", insiste Giovanni Staunovo, da UBS.

O estreito não está totalmente fechado - alguns navios chineses e iranianos teriam passado por ele, segundo a Kpler - mas o tráfego agora é quase impossível.

Após o ataque a dois navios no domingo ao largo dos Emirados Árabes Unidos e de Omã, no estreito de Ormuz, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Dominguez apelou às companhias marítimas para que "evitem" a região.

O preço dos seguros torna-se proibitivo neste contexto, e as principais companhias marítimas confirmaram a suspensão da passagem da sua frota.

É certo que "infraestruturas alternativas no Médio Oriente podem ser utilizadas para contornar os fluxos que transitam pelo estreito, mas o impacto líquido continua a ser uma perda efetiva de 8 a 10 milhões de barris de oferta de petróleo bruto", afirma Jorge Leon, analista da Rystad Energy, numa nota divulgada na véspera.

Em teoria, os países importadores de petróleo dispõem de reservas, uma vez que os membros da OCDE devem manter 90 dias de reservas de petróleo, mas não se excluem preços superiores a 100 dólares (84,63 euros).

Em resposta à guerra no Irão, a Arábia Saudita, a Rússia e seis outros membros da OPEP+ aumentaram no domingo as suas quotas de produção de petróleo em 206.000 barris por dia para o mês de abril, um volume superior ao previsto.

"Mesmo sem uma paragem total da produção, o aumento dos prémios relacionados com o conflito, as alterações de rotas e a reavaliação dos seguros podem manter os custos do petróleo bruto e do frete a um nível elevado", observa Charu Chanana, da Saxo Markets.

"Com toda a região do Golfo afetada, a dissipação deste prémio de risco geopolítico poderá demorar algum tempo, tendo em conta, nomeadamente, o papel central da região no abastecimento energético mundial", insiste.

Tanto mais que "o Irão também tem todo o interesse em utilizar os mercados energéticos para exercer pressão económica", acrescenta Chanana.

"O calcanhar de Aquiles de (Donald) Trump são os preços elevados do petróleo", confirma Michelle Brouhard, analista da Kpler.

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