Governo assegura que "não vai faltar dinheiro" para recuperar Mata de Leiria ardida em 2017

Em causa está um investimento de 8,4 milhões de euros até 2024,

16 de dezembro de 2020 às 00:09
GNR multa Instituto de Conservação por falta de limpeza da Mata Nacional de Leiria Foto: CMTV
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O Governo assegurou esta terça-feira que "não vai faltar dinheiro" para recuperar a Mata Nacional de Leiria, inclusive 8,4 milhões de euros até 2024, indicando que, após a regeneração natural da área ardida, vai ser elaborado o Plano de Gestão Florestal.

"A última época de germinação que temos de esperar é abril do próximo ano, a partir daí já não há desculpa para o Governo, nem para mais ninguém, para não fazer nem o plano de gestão nem saber onde é que tem regeneração natural ou onde não tem regeneração natural e onde é que vai ter de plantar", afirmou o secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território.

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João Paulo Catarino falava numa audição na comissão de Agricultura e Mar da Assembleia da República, requerida pelo grupo parlamentar do BE, sobre a recuperação das matas litorais ardidas, que decorreu em conjunto com o presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), Nuno Banza.

"O ICNF, entre 2019 e 2022, tem já projetos em curso para intervir em mais de 3.300 hectares, a que corresponde um investimento de mais de 4,3 milhões de euros", avançou o secretário de Estado das Florestas, referindo-se à recuperação da Mata Nacional de Leiria.

Além dessa verba, "entre 2021 e 2024, o ICNF encontra-se a ultimar projetos para intervir numa área superior a 6.000 hectares, com um investimento estimado de 4,1 milhões de euros", indicou o governante, contabilizando 8,4 milhões de euros até 2024.

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A Mata Nacional de Leiria, também conhecida por Pinhal de Leiria ou Pinhal do Rei, é propriedade do Estado, tem 11.062 hectares e ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande e a principal espécie é o pinheiro bravo. Nos incêndios de outubro de 2017 ardeu 86% da sua área.

"Não vai haver falta de dinheiro para o Pinhal de Leiria, há esse compromisso do Governo, há essa vontade política", assegurou João Paulo Catarino, assumindo que tem existido uma "deficiente comunicação" do que está a ser feito, mas reforçando que a ideia é fazer deste caso um exemplo: "Se dizemos sempre que não conseguimos fazer na terra que é privada, na pública não temos justificação para não fazer".

"Compreendo as pessoas de lá - toda a vida passaram lá e viram o pinhal lindíssimo -, é uma frustração enorme, mas só o voltarão a ver, infelizmente, para eles e para o país, daqui a 80 anos, se não fizermos nenhuma asneira daqui até a lá", disse o governante.

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Questionado sobre a gestão da Mata Nacional de Leiria, o secretário de Estado garantiu que "o Governo não tem intenções nenhumas de mudar o modelo de gestão", referindo que se mantém a cargo do ICNF, com o reforço adequado de meios.

Sobre a remoção do material lenhoso ardido, João Paulo Catarino adiantou que "a área delimitada para corte de madeira queimada e respetiva alienação totaliza 5.352 hectares, tendo sido alienados, até ao momento, 5.285 hectares da área total prevista, ou seja, 99% do previsto", em que o total vendido rondou os 16 milhões de euros, receita que foi encaminhada para o orçamento geral do Estado.

Apesar da receita consignada à gestão da Mata Nacional de Leiria, o governante revelou que "16 milhões de euros não vão chegar para as intervenções" que é necessário fazer.

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Relativamente à criação do Museu da Floresta, na Marinha Grande, distrito de Leiria, o secretário de Estado explicou que o ICNF pode colaborar em tudo, inclusive ceder o espaço e pagar financeiramente uma parte do investimento, mas tem de ser a câmara municipal ou entidades locais a liderarem este processo.

Aos deputados, o presidente do ICNF, Nuno Banza, fez um balanço dos três anos após o incêndio de outubro de 2017 na Mata Nacional de Leiria, advertindo que o tempo que decorreu foi demasiado curto, mas destacando o trabalho do instituto na recuperação da área ardida e o esforço de recrutamento permanente de novos profissionais.

"Não estando naturalmente satisfeitos com o resultado final, porque objetivamente não conseguiríamos neste prazo repor aquilo que se perde, também é verdade que temos estado a trabalhar ativamente para que isso aconteça", referiu Nuno Banza, acrescentando que "está feita muita coisa", inclusive "está removida, neste momento, 99% da área de madeira ardida".

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SSM/SR // MLS

Lusa/Fim

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