Igreja saúda limites a mudança de sexo em menores e pede abertura do Governo na Educação
Virgílio Antunes, novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, considerou que não seria "justo permitir que pessoas menores possam tomar decisão de mudança sem estarem previstas determinadas condições".
O novo presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) saudou este sábado a revogação da lei de identidade de género e disse esperar que o Governo abra de novo o debate sobre o modelo de ensino, que inclua contratos de associação.
Em entrevista à Lusa, Virgílio Antunes considerou que não seria "justo permitir que pessoas menores possam tomar decisão de mudança sem estarem previstas determinadas condições".
Diplomas do PSD, Chega e Livre foram aprovados na semana passada para revogar a lei existente, que consagra o direito à autodeterminação da identidade de género e expressão de género e à proteção das características sexuais de cada pessoa, introduzindo limitações à prática em menores e exigindo pareceres médicos.
"Temos de ter muito cuidado quando se toca em algumas destas questões que põem em causa a própria estrutura da humanidade, quando se toca na pessoa humana", justificou Virgílio Antunes.
Na entrevista à Lusa, o bispo de Coimbra, que foi eleito presidente da CEP na semana passada, disse também esperar que Governo reforce as verbas para a ação social.
"Nós esperamos que venham a ser aumentadas as verbas das comparticipações através do Instituto da Segurança Social, concretamente para as IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social], muitas delas ou grande parte delas com tutela da Igreja", que vivem em crónico subfinanciamento.
"Não podemos atrofiar a ação social em Portugal" e isso depende também "da atenção que o Estado tem a esta realidade através do governo e do Instituto da Segurança Social", explicou.
Já no que respeita à Educação, Virgílio Antunes lamentou a política do Estado que tem visado o ensino cooperativo e privado, colocando em risco financeiro muitos colégios católicos que tinham contratos de associação.
"É evidente que nós, enquanto sociedade e Igreja, queremos um ensino que respeitasse todos, público, privado e cooperativo", salientou o bispo.
Contudo, tem havido "uma dificuldade muito grande, concretamente das instituições particulares, de levar por diante o ensino, uma vez que foram cancelados muitos dos chamados contratos de associação existentes no passado e que levaram à ruína de muitas instituições de ensino em Portugal", acrescentou o presidente da CEP.
"Continuamos a pensar, como Igreja, que a liberdade de ensino deve ser respeitada e mais do que respeitada deve ser proporcionada", disse ainda.
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