Instituto arrasa prova docente
Conselho Científico do Instituto de Avaliação Educativa diz que a prova nãoé "fiável". Direção do IAVE demarca-se e acusa órgão de extravasar funções.
As críticas contra a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) vieram desta vez do próprio Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável pela aplicação da prova.
Um parecer do Conselho Científico do IAVE, formado por 32 membros de associações docentes e sociedades científicas designados em 2013 pelo ministro da Educação, Nuno Crato, defende que "em nenhum momento a PACC avalia aquilo que é essencial: a competência dos professores candidatos para esta função". Segundo o decreto-lei que aprovou a orgânica do IAVE, o Conselho Científico é um "órgão de consulta e apoio técnico-científico em matéria de avaliação".
O parecer datado de novembro a que o CM teve acesso e que, segundo apurámos, foi subscrito pelos 32 membros, defende que a prova não é "válida e fiável" e tem como "propósito mais evidente obstaculizar o acesso à carreira docente".
O Conselho Diretivo do IAVE "não se revê nem subscreve o referido parecer, que não representa nem vincula este instituto". Em comunicado, sublinha que o parecer "não foi solicitado pelo Conselho Diretivo do IAVE, constituindo uma iniciativa do Conselho Científico sem enquadramento estatutário". A Direção do IAVE afirma que o Conselho Científico "é um órgão consultivo independente" e critica o parecer por incluir "considerações primordialmente de âmbito político". O conselho é acusado de utilizar "um registo que extravasa claramente as competências deste órgão, de cariz exclusivamente técnico-científico". O CM chegou à fala com vários membros do Conselho Científico do IAVE, que se escusaram a comentar a reação da direção.
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