Investigadores alertam para contaminação de metais libertados por catalisadores
Estudo foca-se na platina, no paládio e no ródio, metais que são libertados por catalisadores automóveis e processos industriais.
Investigadores da Universidade de Aveiro (UA) alertam para o impacto ambiental de metais do grupo da platina, libertados por catalisadores, em ecossistemas aquáticos, com base num estudo feito com mexilhão, dado a conhecer esta segunda-feira pela instituição académica.
O estudo foca-se na platina, no paládio e no ródio, "metais que se acumulam de forma contínua no ambiente e cujos efeitos biológicos permanecem pouco estudados", e que são libertados por catalisadores automóveis e processos industriais.
Especialistas dos departamentos de Biologia e Química avaliaram as respostas da espécie de mexilhão 'Mytilus galloprovincialis' a esses contaminantes.
Os mexilhões foram expostos durante 28 dias a concentrações de cada metal, de forma isolada e em misturas.
"A platina estimulou o metabolismo energético e ativou mecanismos de desintoxicação em concentrações baixas, enquanto o paládio comprometeu as reservas de energia e a eficiência metabólica dos organismos em doses elevadas.
Já o ródio destacou-se pela capacidade de induzir danos oxidativos significativos em lípidos e proteínas", descreve o estudo.
Segundo uma nota de imprensa da UA, as misturas de metais provocaram efeitos "complexos e não lineares" nos bivalves analisados.
"As combinações de platina com paládio ou ródio geraram respostas sinérgicas no metabolismo e na limpeza celular, e a exposição simultânea aos três metais revelou um perfil distinto com respostas maioritariamente aditivas", adianta.
Os investigadores consideram que o trabalho realizado "reforça a necessidade de considerar misturas de contaminantes na avaliação de riscos para os ecossistemas costeiros".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt