Jovens 'astronautas' exploram área junto ao Alqueva como se fosse Marte

Em pleno Alentejo, dois elementos desta missão espacial análoga recolhem amostras da superfície para, mais tarde, procurarem em laboratório a existência de microrganismos.

18 de abril de 2026 às 07:28
Jovens 'astronautas' exploram área junto ao Alqueva como se fosse Marte Foto: Nuno Veiga/Lusa
Jovens 'astronautas' exploram área junto ao Alqueva como se fosse Marte Foto: Nuno Veiga/Lusa
Vista do lago do Alqueva a partir do terraço do Observatório do Lago Alqueva Foto: Nuno Veiga/Lusa
Jovens 'astronautas' exploram área junto ao Alqueva como se fosse Marte Foto: Nuno Veiga/Lusa
Jovens 'astronautas' exploram área junto ao Alqueva como se fosse Marte Foto: Nuno Veiga/Lusa
Terraço do Observatório do Lago Alqueva Foto: Nuno Veiga/Lusa
Jovens 'astronautas' exploram área junto ao Alqueva como se fosse Marte Foto: Nuno Veiga/Lusa
Jovens 'astronautas' exploram área junto ao Alqueva como se fosse Marte Foto: Nuno Veiga/Lusa

1/8

Partilhar

Num lugar 'inóspito', dois 'astronautas' saem momentaneamente da 'estação espacial' para explorar a área em busca de indícios de vida, numa missão a Marte em que o resto da equipa segue cada movimento à distância.

Na verdade, trata-se da simulação de uma missão a Marte com a participação de nove estudantes europeus, que se realiza, até domingo, no Observatório do Lago Alqueva (OLA), no concelho de Reguengos de Monsaraz, distrito de Évora.

Pub

Em pleno Alentejo, mas como se fosse em Marte, os dois elementos desta missão espacial análoga recolhem amostras da superfície para, mais tarde, procurarem em laboratório a existência de microrganismos.

"Estão a recolher amostras de solo, que, depois, vão colocar em placas de ágar-ágar (um espessante extraído de algas marinhas) e deixar numa estufa para as bactérias crescerem e conseguirem explorar", explica à agência Lusa Francisco Bártolo, membro da missão responsável pela comunicação.

Com fatos semelhantes aos dos verdadeiros astronautas, embora estes sejam pretos, os dois 'exploradores' têm uma hora para cumprir a tarefa e todos os passos são seguidos na 'sala de operações' e na 'estação espacial', através de sistemas de comunicação e câmaras.

Pub

Estes elementos fazem parte do grupo de nove alunos do ensino secundário de Portugal, Áustria e Grécia que participa, até domingo, na simulação da missão no OLA.

Integrada no projeto europeu EXPLORE, financiado pelo programa Erasmus+, a iniciativa pretende levar o futuro da exploração espacial às salas de aula e despertar o interesse pelas áreas das ciências, tecnologia, engenharia, artes e matemática.

O projeto é liderado pelo Fórum Espacial Austríaco, em parceria com a Organização Não-Governamental (ONG) portuguesa NUCLIO, a escola grega Ellinogermaniki Agogi e o Comité de Investigação Espacial (COSPAR), além do OLA.

Pub

Por estes dias, vários espaços do OLA, entre a vila medieval de Monsaraz e as margens da albufeira de Alqueva, simulam uma 'sala de operações' e uma 'estação espacial', no interior das instalações, e a superfície marciana, no exterior.

Escolhidos por colegas e professores, os nove jovens passam alternadamente pelos vários cenários da missão, assumindo as respetivas tarefas.

Com 14 anos, Francisco Bártolo, aluno de 10.º ano na Escola Secundária de Paredes, distrito do Porto, 'não pensou duas vezes' em aceitar o desafio de participar na missão e confessa que quer dedicar a sua vida a esta área do conhecimento.

Pub

"Esta missão é muito importante", afiança, assinalando que, apesar de os procedimentos estarem "mais simplificados" do que os reais, estes alunos estão a "recriar o que outros astronautas estão a fazer" em simulações idênticas da atmosfera de Marte.

Na 'sala de operações', seis elementos da missão comandam a 'atividade extraveicular' (EVA, na sigla em inglês), sob o 'olhar atento' de Rosa Doran, presidente do NUCLIO, e Gernot Grömer, diretor do Fórum Espacial Austríaco, entre outros.

A expedição "não é 100% verdadeira", avisa logo a presidente do NUCLIO, salientando, porém, que "está em tudo similar a uma missão real de um astronauta análogo".

Pub

Rosa Doran diz que o NUCLIO promove, há já vários anos, investigação científica em sala de aula com uma metodologia que tem como base a ideia de que "a ciência se aprende fazendo" e só aponta vantagens a este tipo de iniciativas.

"Já temos estudantes que descobrem asteroides e fazem curvas de luz de planetas extra solares e achamos que levar a astronáutica análoga até as escolas e permitir que os alunos aprendam conteúdo curricular enquanto estão a trabalhar em algo real faz todo sentido", frisa.

Já Gernot Grömer, que, além de diretor do Fórum Espacial Austríaco, é também astronauta analógico certificado, realça que esta iniciativa é "uma versão estudantil" das designadas "missões profissionais de investigação analógica".

Pub

Nessas missões, "vamos para desertos que, em certa medida, são semelhantes a Marte, enviamos uma equipa de astronautas analógicos cuidadosamente selecionada e estudamos fluxos de trabalho e experiências" como se fosse naquele planeta, refere.

Na missão análoga no Alentejo, segundo o responsável, acontece o mesmo, mas o fluxo de trabalho foi adaptado para que os estudantes "continuem a sentir o entusiasmo de fazer investigação que ninguém fez antes".

"Para eles, é uma experiência literalmente de outro mundo e, em menos de 24 horas, já estão completamente imersos em todo este mundo de investigação de Marte e isso é tão emocionante de ver".

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar