Justiça dá razão a homem infértil em Aveiro
Impugnou paternidade após descobrir que não é o pai biológico.
O Tribunal Constitucional (TC) deu parcialmente razão ao homem que pretendia que a jovem que criou como filha, agora maior de idade, deixasse de usar o seu apelido.
Em causa está o facto de este ter descoberto que é infértil, enquanto realizava exames para perceber a razão pela qual a segunda mulher não conseguia engravidar. O homem terá sido enganado pela ex-mulher, enquanto ainda estavam casados e só descobriu a mentira quando a jovem já tinha 15 anos.
O pedido de impugnação da paternidade tinha sido inicialmente recusado pelo Tribunal de Família e Menores de Aveiro, que considerou que o homem era "afetiva e sociologicamente (e por isso) juridicamente" o pai da rapariga. Perante a decisão, a defesa do queixoso decidiu recorrer para o TC, que ordenou a reforma da decisão recorrida.
"O Tribunal de Família e Menores de Aveiro veio, no presente momento, declarar que o nosso constituinte não é o pai e em consequência retificar o assento de nascimento, deixando o mesmo de figurar doravante como pai", explicou o advogado Pedro Teixeira, que representa o homem.
Desta forma, a jovem deixa, por exemplo, de poder ser considerada herdeira daquele que pensou ser o seu pai durante os primeiros 15 anos de vida. A mãe da rapariga foi também condenada, segundo a defesa do ofendido, a pagar uma multa e indemnização, a ser fixada por litigância de má-fé.
A decisão do Tribunal de Aveiro, no ano passado, estabelecia que a jovem pudesse ter dois pais.
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