Leiria alerta que reposição das comunicações afetadas pelo mau tempo é essencial para eficácia na resposta a incêndios

Autarca de Leiria, concelho gravemente afetado pelo mau tempo, adiantou que o país está "prestes a entrar num período particularmente exigente".

08 de abril de 2026 às 19:28
Depressão Kristin deixa rasto de destruição na aldeia de Barracão, concelho de Leiria Foto: Ricardo Almeida
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O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, alertou esta quarta-feira que a reposição das comunicações, afetadas devido ao mau tempo, é essencial para garantir eficácia na resposta aos incêndios e segurança no terreno.

"A reposição de infraestruturas críticas, nomeadamente ao nível das comunicações, ainda não está plenamente concluída e essa é uma dimensão essencial para garantir eficácia na resposta e segurança no terreno", afirmou Gonçalo Lopes, na apresentação do Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), instalado numa viatura da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) estacionada nos Bombeiros Sapadores de Leiria.

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Numa "nota de realismo", como a classificou, Gonçalo Lopes garantiu empenho da autarquia em matéria de prevenção de incêndios, mas garantiu que está atento "às fragilidades que ainda subsistem", como as comunicações.

O CIPO tem como finalidade a remoção do material combustível acumulado pelas tempestades, a limpeza de áreas críticas, a reabertura de caminhos e a melhoria de acessos.

A redução do risco de incêndio antes do verão é o que Governo pretende com esta estrutura, que envolve os ministérios da Administração Interna, Defesa Nacional e Agricultura e Mar, cujos titulares estão na sessão de apresentação.

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Integram o CIPO, além da ANEPC, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Liga dos Bombeiros Portugueses, Agência de Gestão Integrada de Fogos Rurais, Guarda Nacional Republicana e Estado-Maior-General das Forças Armadas.

O presidente do município declarou que a instalação em Leiria do CIPO "não é apenas uma decisão operacional", mas "também uma mensagem de enorme importância para a comunidade", de que se está "a agir com antecipação, com consciência da dimensão do desafio" que há pela frente.

O autarca de Leiria, concelho gravemente afetado pelo mau tempo, adiantou que o país está "prestes a entrar num período particularmente exigente".

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"As condições que hoje encontramos no território, marcadas por uma elevada acumulação de material combustível, aumentam significativamente o risco e colocam-nos perante uma realidade que não pode ser ignorada, nem adiada", sustentou.

Cerca de oito milhões de árvores foram destruídas ou danificadas durante a depressão Kristin, segundo a Câmara.

Considerando que há "um grande trabalho pela frente" que "exige coordenação, capacidade de decisão e, sobretudo, execução no terreno", o autarca sustentou que é esta última que "urge operacionalizar, mobilizando recursos a nível nacional e simplificando procedimentos de forma a tornar acessível toda a floresta e permitir circular em segurança".

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Gonçalo Lopes assegurou que os municípios "estão totalmente empenhados nesse esforço", em articulação "com todas as entidades", pois "só com ação concertada" se consegue reduzir o risco de incêndio.

"Mais do que um sinal à comunidade, esta estrutura representa um salto na forma como nos organizamos no terreno, com maior capacidade de antecipação, melhor articulação entre entidades e presença permanente onde o risco é mais elevado", referiu.

Contudo, o autarca defendeu a necessidade de "aprofundar uma verdadeira cultura de proteção civil", que "não se limita às instituições, mas que envolve também as populações, as empresas e o conjunto da sociedade".

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Neste aspeto, realçou "o papel absolutamente decisivo das Unidades Locais de Proteção Civil (ULPC)".

O trabalho das ULPC passa pela prevenção e avaliação de riscos e vulnerabilidades, sensibilização e informação pública, e apoio à gestão de ocorrências. No verão, a atividade é concentrada na vigilância do território contra incêndios.

Gonçalo Lopes destacou ainda o trabalho dos bombeiros, forças de segurança e Forças Armadas, para acrescentar que a apresentação do CIPO deve ser vista com exigência na "capacidade de antecipar, na coordenação entre entidades e, sobretudo, na execução", pois, em matéria de incêndios, "o tempo conta e a prevenção é sempre a melhor resposta".

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Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

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