Localidade de Porto Brandão em Almada evacuada por risco de deslizamento de terras
Autarca disse que a operação está em curso, pelo que não sabe ainda o número exato de pessoas que terão de sair da zona.
A localidade de Porto Brandão, no concelho de Almada, começou esta quarta-feira a ser evacuada devido ao risco de deslizamento de terras nas arribas, disse à Lusa a presidente da autarquia.
"Neste momento, o que está em curso é, de facto, um processo de evacuação de Porto Brandão, porque aí é que se teme uma derrocada maior que pode cortar os acessos" à localidade, explicou Inês de Medeiros.
A autarca disse que a operação está em curso, pelo que não sabe ainda o número exato de pessoas que terão de sair da zona.
"Já muitas pessoas têm saído nos últimos 10 dias, porque temos vindo a monitorizar a situação. A chuva não para e aquilo tem vindo a agravar-se", disse.
A estrada de Porto Brandão já se encontra interditada a viaturas, e, por esse motivo, a Estação Fluvial encontra-se encerrada, pelo que o serviço de transporte de passageiros encontra-se temporariamente limitado a Trafaria -- Belém, sendo realizado de acordo com os horários em vigor.
"A Transtejo também já cortou, naturalmente, a ligação, mas também já disponibilizou barcos para ajudar a retirar viaturas ou pessoas, caso seja necessário, porque a estrada já está interditada a viaturas", explicou a presidente da Câmara Municipal de Almada, no distrito de Setúbal.
Inês de Medeiros adiantou que os serviços sociais estão também a fazer o levantamento casa a casa, a contactar as pessoas que, eventualmente, já tenham saído para trabalhar, para virem buscar os seus pertences.
"Está tudo a correr bem, de uma forma pacífica. As pessoas estão a vir buscar as coisas e a tentar arranjar soluções familiares. As que não tiverem, o município assegurará", disse.
A autarca acrescentou que existiam, efetivamente, alguns locais críticos já assinalados em Porto Brandão, mas não o que agora está a sofrer deslizamentos provocados pelos dias consecutivos de chuvas.
Questionada se tinha sido contactada por entidades governamentais face a este deslizamento de maior dimensão, a autarca disse que não e que, no que respeita a este caso em concreto, apenas recebeu um contacto do presidente da Transtejo a disponibilizar meios para o que fosse necessário.
Na análise e monitorização da situação, adiantou, a Câmara Municipal tem contado com a ajuda da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, localizada no Monte da Caparica, no concelho de Almada.
"Nós estamos com desabamentos e deslizamentos de terra um pouco por todo o lado ao longo de toda a arriba. Almada, sobretudo a Costa da Caparica, que está entre o mar e a arriba, tem arribas que exigem preocupação", disse, alargando essa preocupação às zonas que percorrem o rio até Cacilhas.
Inês de Medeiros disse ainda que os serviços municipais estão no território e em vigilância permanente.
Segundo dados da autarquia, até à noite de terça-feira, existiam 100 pessoas deslocadas no concelho de Almada, das quais 70 acolhidas por soluções encontradas pela câmara municipal: quatro no segundo Torrão, 42 da Azinhaga dos Formozinhos, duas de Santo António da Caparica, três da Fonte Santa, uma de Olho de Boi, cinco de Abas da Raposa, quatro do Raposo e nove de São João da Caparica.
A vereadora da Proteção Civil, Francisca Parreira, explicou na noite de terça-feira, na reunião da Assembleia Municipal, que as pessoas foram acolhidas no Caparica Sun Center, na Costa da Caparica, e no Inatel, tendo ainda o Seminário de Almada disponibilizado alojamento caso seja necessário.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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