Mais de 190 kms de caminhos florestais desobstruídos no concelho de Leiria após depressão Kristin

Vereador estima que "mais duas semanas" e o município conseguirá "chegar à totalidade de todas as áreas" afetadas.

05 de maio de 2026 às 16:29
Mais de 190 kms de caminhos florestais desobstruídos no concelho de Leiria Foto: Carlos Barroso/Lusa
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Mais de 190 quilómetros de caminhos florestais que ficaram obstruídos no concelho de Leiria devido à depressão Kristin, em 28 de janeiro, já estão limpos, revelou, esta terça-feira, à Lusa o vereador Luís Lopes.

Segundo Luís Lopes, dos 450,89 quilómetros de caminhos florestais obstruídos, 193,77 quilómetros já estão limpos, praticamente 43%, assinalando ter havido "uma "priorização em termos de freguesias e áreas afetadas".

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"Aquelas que tinham maior número de árvores caídas e aquelas também que nos interessava mais rapidamente termos acesso para, havendo incêndios, os meios de socorro já poderem circular, foi aí que apostámos, ou seja, na zona centro-norte do concelho e também nas freguesias de Maceira e Parceiros, que eram aquelas que tinham mais danos", explicou o autarca.

O vereador com o pelouro da proteção civil adiantou que a estimativa é que "mais duas semanas" e o município conseguirá "chegar à totalidade de todas as áreas que foram identificadas e libertar a rede viária florestal".

O trabalho de desobstrução dos caminhos florestais tem sido feito por empresas contratadas pela autarquia e por juntas de freguesia, estando a operar no terreno, coordenados pelo Centro Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), também recursos das Forças Armadas, Força Especial de Proteção Civil, Sapadores Florestais e Guarda Nacional Republicana.

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O CIPO, instalado numa viatura da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil estacionada nos Bombeiros Sapadores de Leiria, visa a remoção do material combustível acumulado pelas tempestades, a limpeza de áreas críticas, a reabertura de caminhos e a melhoria de acessos.

Luís Lopes indicou que, nesta fase, as árvores são cortadas, retiradas do caminho e colocadas "no terreno do proprietário, para que ele depois tenha a oportunidade de fazer a sua remoção".

"A intervenção posterior (...) vai ser iniciada já no âmbito da Área Integrada de Gestão da Paisagem (AIGP)", que deverá iniciar a partir da segunda quinzena deste mês, afirmou.

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O vereador acrescentou que vão ser criados, "no mínimo, cinco parques de madeiras", onde também vão ser recolhidos "os sobrantes florestais e o objetivo é para a produção de estilha, ou seja, para a produção de biomassa e depois devolução ao solo".

"Esses locais, depois oportunamente, vão ser identificados e partilhados em todas as juntas de freguesia, para que as pessoas saibam para onde é que podem transportar esse material e retirá-lo dos seus terrenos para reduzir, assim, a probabilidade de um incêndio ou até de haver mais material disponível para arder", disse.

Luís Lopes admitiu haver áreas ardidas em 2022 e anos posteriores que ainda não tiveram qualquer intervenção por parte dos proprietários, "ou seja, têm madeira caída no chão", situação agravada devido ao mau tempo.

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"Temos cerca de 28 mil hectares de floresta, entenda-se floresta e agricultura, no concelho e mais de 10 mil têm madeira caída no solo", notou, reconhecendo ser "algo sem precedentes".

O Município de Leiria deliberou, em abril, ser entidade gestora de uma Área Integrada de Gestão da Paisagem (AIGP), "uma abordagem territorial integrada para dar resposta à necessidade de ordenamento e gestão da paisagem e de aumento de área florestal gerida a uma escala que promova a resiliência aos incêndios, a valorização do capital natural e a promoção da economia rural", segundo a Direção-Geral do Território.

A AIGP permite a realização de operações integradas de gestão da paisagem, que "incluem corte e processamento de árvores afetadas, remoção e transporte do material, gestão da biomassa residual e eventual criação de parques temporários de armazenamento", anunciou a Câmara.

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Esta operação está em consulta pública até 11 de maio. No dia seguinte, às 19:00, no estádio municipal, há uma reunião com proprietários e produtores florestais.

Esta terça-feira e na quarta-feira, decorrem sessões de esclarecimento, na União das Freguesias de Parceiros e Azoia e Associação Cultural, Recreativa e de Solidariedade Social do Vale Sobreiro, Caranguejeira, respetivamente, ambas às 19:00.

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