Marcas contornam a lei para promover a crianças alimentos não saudáveis nas redes sociais
Estudo da DGS mostra que 81% dos alimentos promovidos a crianças entre os 3 e 16 anos não são saudáveis.
As marcas estão a encontrar estratégias para contornar a lei, aprovada em 2019, que proíbe que jovens com menos de 16 anos sejam expostos a anúncios nas redes sociais de bebidas e alimentos não saudáveis.
Os menores são diariamente expostos a publicidade na Internet e muitos dos anúncios promovem alimentos e bebidas que não cumprem o perfil nutricional imposto pela Direção Geral de Saúde (DGS). Segundo um comunicado da DGS as marcas estão a adaptar-se e a apostar "em anúncios que apenas fazem referência à marca". A criação de sistemas de verificação de idade para conseguir aceder aos conteúdos é outra das estratégias para contornar a lei.
Os dados foram obtidos através de um estudo promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que recolheu, através de uma aplicação, informação sobre anúncios digitais de crianças. A recolha de dados aconteceu entre 28 de fevereiro de 2022 e 20 de janeiro de 2023 e foram escolhidos 44 participantes, dos 3 aos 16 anos.
Foram visualizados mais de 18 mil anúncios durante 11 meses, dos quais 8% eram referentes a bebidas e alimentos. A análise centrou-se nestes anúncios, dos quais 81% diziam respeito a alimentos não saudáveis.
O estudo "permitiu também identificar algumas estratégias de adaptação às restrições à publicidade alimentar dirigida a menores de 16 anos em Prtugal, que parecem continuar a permitir a exposição das crianças ao marketing digital", é uma das conclusões da análise.
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