Medicamentos com semaglutida associados a menor risco de agravamento de doenças mentais

Compostos utilizados no tratamento da diabetes e obesidade estão associados a um menor risco de agravamento da depressão, ansiedade e perturbações relacionadas com o consumo de substâncias.

19 de março de 2026 às 15:22
Doenças mentais, depressão Foto: d.r.
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Medicamentos utilizados no tratamento da diabetes e da obesidade com semaglutida estão associados a um menor risco de agravamento da depressão, ansiedade e perturbações relacionadas com o consumo de substâncias, revela um estudo esta quinta-feira divulgado.

A investigação, publicada na revista "The Lancet Psychiatry", analisou a "associação entre o uso de agonistas do recetor GLP-1 e o agravamento das doenças mentais em pessoas com depressão e ansiedade na Suécia"

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O estudo envolveu uma amostra de 95.490 pessoas, com idade média de 50,6 anos, a maioria (59,7%) mulheres. A maioria dos participantes tinha diagnóstico de transtorno de ansiedade (81,5%), depressão (54,9%) e alguns apresentavam ambas as condições (36,4%).

Utilizando dados observacionais nacionais recolhidos ao longo de 14 anos, os investigadores observaram que "a semaglutida e, em menor grau, a liraglutida estiveram associadas a um risco significativamente menor de agravamento da doença mental em pessoas que utilizavam medicamentos antidiabéticos, enquanto a exenatida e a dulaglutida não apresentaram a mesma associação".

O uso de agonistas do recetor GLP-1 esteve associado a um menor risco de automutilação. Em particular, a semaglutida mostrou associação com uma redução do risco de agravamento da depressão, ansiedade e perturbações relacionadas com o consumo de substâncias.

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Esse agravamento foi definido como internamento por doença mental, automutilação, licença médica por motivos psiquiátricos ou suicídio.

Os resultados mostram que a semaglutida esteve associada a uma redução de 42% no risco de agravamento da saúde mental e a liraglutida a uma redução de 18%.

Como principal limitação do estudo, os investigadores apontam o facto de, sendo observacional, não permitir estabelecer uma relação de causa e efeito.

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Ainda assim, defendem que as associações identificadas entre os diferentes medicamentos antidiabéticos fornecem uma base importante para a realização de futuros ensaios clínicos randomizados.

Os investigadores alertam que os resultados apenas podem ser generalizáveis para sistemas de saúde semelhantes ao da Suécia, onde a assistência médica e social é oferecida gratuitamente no ponto de atendimento a todos os residentes, com custos mínimos para os utentes.

"O preço dos agonistas do recetor GLP-1 pode, assim, constituir uma barreira ao acesso em sistemas de saúde privados, especialmente para pessoas que mais poderiam beneficiar destes medicamentos, pelo menos até à eventual disponibilidade de versões genéricas mais acessíveis".

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Os investigadores ressalvam ainda que o período de estudo abrangeu a pandemia de covid-19, sendo possível que a covid-19 tenha afetado os resultados.

Dados suecos sobre o efeito do período da pandemia notaram uma taxa de suicídio menor e nenhuma mudança significativa no uso de antidepressivos ou licença médica.

Os autores destacam ainda que a depressão e a ansiedade são frequentes em pessoas com diabetes e que podem agravar o controlo da doença, criando um ciclo de impacto negativo na saúde física e mental.

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Os resultados são consistentes com investigações anteriores, que também não encontraram evidências de que os agonistas do recetor GLP-1 aumentem o risco de depressão ou comportamentos suicidas.

Pelo contrário, alguns estudos sugerem até benefícios adicionais, como a redução do consumo de álcool e de substâncias.

Do ponto de vista clínico e económico, os investigadores referem que a redução de licenças médicas associadas a problemas de saúde mental pode ter impacto relevante, nomeadamente para empregadores e sistemas de saúde.

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