Médico acusado de morte negligente em Peniche é julgado a 7 de novembro
Clínico é acusado de não ter encaminhado para outro hospital doente com aneurisma coronário.
O médico que está acusado de homicídio por negligência, pela morte de uma mulher na urgência de Peniche do Centro Hospitalar do Oeste, começa a ser julgado a 7 de novembro no tribunal daquela comarca, disse esta sexta-feira fonte judicial.
O juiz de Instrução Criminal de Leiria decidiu pronunciar o médico de clínica geral como autor do crime, de acordo com o despacho instrutório, datado de maio, depois de o Ministério Público ter arquivado o caso e de, em consequência, a família da vítima ter recorrido da decisão para o Tribunal da Relação de Lisboa.
Segundo a acusação, a que a agência Lusa teve acesso, a 5 de janeiro de 2015, a vítima deu entrada na urgência e foi atendida pelas 09h51 pelo médico, queixando-se de "dores no peito e pescoço", motivo pelo qual foi pedido um raio-x (RX) torácico pelas 10h41.
Pelas 11h16, o arguido observou o resultado do exame e "concluiu não haver lesões", afastando a "hipótese de enfarte do miocárdio", apesar de no RX ser visível existir um "alargamento do mediatismo superior".
O problema apontado era indicativo de um eventual aneurisma coronário, que "impunha a realização de uma TAC [Tomografia Axial Computorizada]" e o consequente reencaminhamento da doente para a urgência das Caldas da Rainha, por não haver TAC em Peniche.
A vítima foi mantida em observação na urgência de Peniche, sem ser transferida para as Caldas da Rainha para efetuar o exame e, a confirmar-se o diagnóstico, ser sujeita a intervenção cirúrgica.
A TAC foi pedida pelas 18h40, assim como um ecocardiograma e uma eletrocardiograma, face à "persistência das dores torácicas".
Os exames "não foram a tempo" e a mulher faleceu pelas 19h30, vítima de "tamponamento cardíaco [rutura de uma veia do coração] decorrente de aneurisma coronário".
O médico "deveria ter-se aconselhado com o médico de medicina interna e solicitado o transporte de urgência para Caldas da Rainha", conclui a acusação, segundo a qual se o médico tivesse agido de forma devida a "morte não sucederia".
O despacho instrutório refere que "a leitura do RX torácico mudaria todo o rumo" dos acontecimentos, concluindo ter havido uma "negligência inconsciente".
O médico está aposentado, mas continua a exercer na urgência de Peniche, através de uma empresa que presta serviços para o Centro Hospitalar do Oeste.
Os hospitais de Peniche e de Caldas da Rainha, assim como o de Torres Vedras, pertencem ao Centro Hospitalar do Oeste.
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