Milhares manifestaram-se em Lisboa contra o pacote laboral
Entre o Cais do Sodré e o Rossio, milhares de manifestantes gritaram contra as alterações à lei laboral.
Milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em Lisboa contra o pacote laboral, classificado pelo secretário-geral da CGTP como negativo para os trabalhadores, exigindo a retirada da proposta.
Entre o Cais do Sodré e o Rossio, milhares de manifestantes gritaram contra as alterações à lei laboral e, em pouco mais de uma hora de percurso, pediram melhores condições de trabalho. "É só mais um empurrão e o pacote vai ao chão", ouviu-se pelas ruas de Lisboa, assim como "o público é de todos, o privado é só de alguns".
Aos jornalistas, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, sublinhou que "este pacote laboral é negativo para o mundo do trabalho e é negativo para os trabalhadores" e avisou que o Governo "sabe que tem no Chega e na Iniciativa Liberal um braço armado para dar continuidade a esta política".
"Exigimos a retirada do pacote laboral, exigimos discutir a melhoria das condições de vida dos trabalhadores com propostas concretas de alteração à legislação que hoje está em vigor para melhorar as condições de vida de quem trabalha", acrescentou Tiago Oliveira no início da manifestação, ainda no Cais do Sodré.
O protesto, que começou pelas 14:30 e terminou ainda antes das 17:00, juntou pessoas de todas as idades - desde jovens a pensionistas. Uma das manifestantes, Natália Moreira, de 75 anos, está reformada e quis este sábado apoiar quem ainda trabalha e quem ainda vai entrar no mercado de trabalho.
"Eu tenho filhos jovens também e o problema é bastante grave, sobretudo para pessoas que ganham o ordenado mínimo nacional. Como é que se consegue viver neste país, com o aumento do custo de vida como está? ", questionou, acrescentando que é preciso lutar "por condições que os trabalhadores já tiveram e que a pouco e pouco deixaram de ter".
E há quem tenha apontado questões práticas das alterações, como fez Elsa Arruda, de 59 anos, trabalhadora da Câmara Municipal de Loures, que apontou para os despedimentos: "Não passa pela cabeça de ninguém poder despedir só porque sim e ficar para mais tarde para ver se tem razão ou não tem".
Ao lado de Elsa Arruda, também na manifestação, Cátia Nunes, de 43 anos, trabalhadora da administração local, considerou que este pacote laboral representa "um retrocesso social dos direitos dos trabalhadores e na vida de quem produz a riqueza do país". "A ser alterada uma reforma laboral, que seja em benefício dos trabalhadores", acrescentou.
Alguns partidos juntaram-se também este sábado aos trabalhadores, com Livre, PCP e Bloco de Esquerda a sublinharem que o Governo terá de recuar nas propostas apresentadas para alterar a lei do trabalho.
Do Livre, o deputado Jorge Pinto questionou, alertando para a falta de resposta do Governo: "Afinal, porque é que o Governo está a apresentar este pacote laboral? Afinal, o que é que estava de tão errado no nosso Código do Trabalho para levar a mais de 100 propostas de alteração, todas elas prejudicando os nossos trabalhadores?"
Também à margem da manifestação, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, quis deixar claro que "este pacote é para cair". "Nada disto que está em cima da mesa serve esta gente toda. Tudo o que está aí [no pacote laboral] serve para acentuar a vida difícil de toda esta gente", acrescentou.
Já o líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, deixou um recado a António José Seguro, para que este "seja firme no combate a este pacote laboral, porque ele contraria direitos constitucionais fundamentais", dizendo que "a posição até agora expressa pelo Presidente da República eleito não é uma posição clara".
O anteprojeto de reforma, chamado "Trabalho XXI", foi apresentado pelo Governo de Luís Montenegro (PSD e CDS-PP) em 24 de julho de 2025 e está prevista uma reunião plenária de Concertação Social para a próxima terça-feira.
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