Milhares rumam ao Altar do Mundo
Balanço dá conta de mais de 35 mil pessoas nas estradas do País.
Mais de 35 mil fiéis já caminham em direção à Cova da Iria para a peregrinação do 13 de Maio, segundo o último balanço do Santuário de Fátima, revelado ontem. Muitos já estão na estrada há mais de cinco dias, a maioria tendo como ponto de partida o Norte do País - cerca de 25 mil. São apoiados por mais de 1700 voluntários, distribuídos por 72 postos e 12 equipas itinerantes.
Ontem, num parque junto aos Campos do Bolão, em Coimbra, um grupo de 29 peregrinos, que saiu às 4h00 de sábado da Póvoa do Varzim, fez uma paragem para repor energias. Estendidos em mantas, alguns tratavam das bolhas nos pés, enquanto outros aproveitavam para falar com familiares ao telefone.
A pausa para o descanso incluiu também o almoço. António Torres assumiu a tarefa de pôr a mesa em que foi servida a refeição. Antes, montou o fogão a gás e ajudou a descascar as batatas, num espaço que foi depois ocupado por Ana Maria, responsável pela ementa: "Fiz um refogado com tomate, pimento, cebola e azeite. Depois juntei as batatas, lulas e massa, que é para o povo ficar com energia", explicou a peregrina.
Outro grupo, de mais de 400 pessoas, fez também ontem uma paragem no concelho de Coimbra. Para os fiéis, que partiram juntos de Felgueiras, a peregrinação é "uma espécie de ritual" que repetem há vários anos. "Saio de Fátima com o coração cheio, a transbordar. Ajuda a sarar as feridas de uma mãe que perdeu um filho, com 20 anos, no mar, há 12 anos", conta Isabel Marafona, de Caxinas, em Vila do Conde.
PORMENOR
"Lavar os pés é simbólico"
O corpo de voluntários da Ordem de Malta tem vários pontos de apoio em que são tratadas assaduras e bolhas dos fiéis. "Lavar-lhes os pés é simbólico, o mais importante é o apoio moral", diz António Fonseca, chefe do posto a sul da Mealhada.
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