Ministério deve preparar-se para "aumento excecional" de pedidos de reapreciação dos exames nacionais, diz a FNE

Segundo a FNE, em anos anteriores, a taxa de pedidos de reapreciação de prova ronda os 2%.

14 de julho de 2026 às 16:50
Professores classificam exames nacionais de Português em dia crucial Foto: Carlos Barroso
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A Federação Nacional da Educação (FNE) alertou esta terça-feira que a tutela deve preparar-se para um "aumento excecional" de pedidos de reapreciação dos exames nacionais, antecipando dezenas de milhares de pedidos devido aos problemas com a classificação digital.

"Estamos perante a possibilidade de o sistema ter de responder a um volume cinco ou dez vezes superior ao habitual", sublinha a federação sindical em comunicado.

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Segundo a FNE, em anos anteriores, a taxa de pedidos de reapreciação de prova ronda os 2%.

Com mais de 300 mil provas realizadas pelos alunos dos 11.º e 12.º anos, essa percentagem corresponde a cerca de seis mil exames, mas a FNE avisa que este ano poderão existir dezenas de milhares de processos, justificando que os problemas registados ao longo do processo de classificação minaram a confiança dos alunos e das famílias.

"Um cenário de aumento significativo dos pedidos de reapreciação teria consequências muito relevantes na mobilização de professores classificadores, na carga de trabalho das estruturas envolvidas, na capacidade de resposta dos sistemas tecnológicos e administrativos e no cumprimento dos prazos estabelecidos", alerta.

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Perante essa possibilidade, a federação sindical considera indispensável que o Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) tenha preparado um plano de contingência.

Deverão ser assegurados os recursos humanos necessários, mecanismos de mobilização dos professores, capacidade dos sistemas tecnológicos e administrativos e direitos dos professores envolvidos, em particular o direito ao descanso e férias.

"Depois da pressão excecional a que muitos professores foram sujeitos, não seria aceitável que uma eventual insuficiência de planeamento na fase das reapreciações viesse novamente a ser compensada através da sobrecarga, da disponibilidade permanente ou do sacrifício dos períodos de descanso dos docentes", escreve a FNE.

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Pela primeira vez este ano, as provas dos 11.º e 12.º anos, que continuam a ser realizadas em papel, estão a ser corrigidas em formato digital, um processo que implica que sejam digitalizadas e só depois distribuídas pelos professores para serem avaliadas.

No entanto, os sistemas informáticos apresentaram problemas desde o início, com atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das folhas de resposta, problemas técnicos na plataforma utilizada para corrigir.

A poucas horas do fim do prazo para concluir o processo de classificação dos exames nacionais do secundário, que termina esta terça-feira, ainda há professores a serem convocados e relatos de itens incompletos.

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Além do impacto desses constrangimentos na confiança dos alunos e famílias no processo, a FNE acrescenta que a alteração de procedimentos também poderá contribuir para o aumento do número de pedidos de reapreciação.

Ao contrário dos anos anteriores, cada professor está a corrigir várias respostas à mesma pergunta, em vez de avaliar o exame completo.

"No modelo anteriormente utilizado, o professor classificador analisava a prova na sua globalidade, dispondo de uma visão integral do desempenho do aluno e de uma perceção global da coerência e da qualidade das respostas apresentadas", refere a FNE.

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Este ano, os classificadores não têm acesso à prova completa e, por isso, não conseguem ter "uma leitura global do exame".

"Sabendo que uma pequena alteração na cotação de uma ou mais respostas poderá traduzir-se numa melhoria da classificação final, é legítimo admitir que um número significativo de alunos e famílias considere existirem razões suficientes para solicitar a reapreciação da prova", sustenta a FNE.

Habitualmente, depois de afixadas as pautas, os alunos dispõem de dois dias úteis para pedir para consultar as provas e outros dois dias, após o período de consulta, para formalizar o pedido de reapreciação.

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Este ano, contudo, todos os alunos terão acesso às respetivas provas, em formato digital, sem necessidade de solicitar a consulta.

A Lusa questionou o MECI sobre como vai decorrer a reapreciação das provas, tendo em conta as alterações aos procedimentos de classificação, e aguarda resposta.

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