Ministra da Saúde critica atrasos de anos na divulgação de dados do Registo Oncológico Nacional

Ana Paula Martins disse não entender as razões para os dados serem publicados com anos de atraso quando existem informações atualizadas.

10 de abril de 2026 às 15:10
Ana Paula Martins, ministra da Saúde Foto: DR
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A ministra da Saúde manifestou esta sexta-feira perplexidade com os atrasos de anos na divulgação do Registo Oncológico Nacional, realçando a sua importância para avaliar o sistema de saúde e perceber se há diferenças regionais no tratamento do cancro.

Na sua intervenção na sessão comemorativa do 85.º aniversário da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Ana Paula Martins disse não entender as razões para os dados serem publicados com anos de atraso quando existem informações atualizadas.

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"Não compreendo muito bem porque é que isto acontece, mas há de haver razões para isso e temos que tentar perceber para poder ajudar aqueles que têm responsabilidades nos registos oncológicos de fazer de maneira diferente, porque eu acredito que há de haver várias razões e nós temos que intervir nelas", declarou.

Ana Paula Martins sublinhou que os registos oncológicos são essenciais para acompanhar a evolução da doença, perceber se há diferenças na forma como os doentes são tratados em várias regiões do país e se as taxas de mortalidade são diferentes e, no caso de serem, perceber as razões.

Os dados são também fundamentais para avaliar a efetividade das inovações terapêuticas e para perceber onde estão a ser investidos os recursos e de que forma se pode investir melhor, acrescentou.

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"Se nós criámos os registos foi porque precisávamos deles", vincou, assumindo que é preciso "fazer alguma coisa" para ultrapassar esta situação.

"Realmente, quem governa tem uma responsabilidade enorme sobre esta matéria. Pelo menos de perguntar, porque é que estamos com sete anos de atraso na publicação dos dados quando temos dados mais atualizados", disse a governante.

E rematou: "A questão é porque é que não fazemos a translação para a publicação, até para que todos possamos conhecê-los, as famílias, os cidadãos, todos".

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A ministra da Saúde assumiu ainda o compromisso de acompanhar o tema, afirmando que, "com tantas testemunhas", espera não voltar a ter a mesma "perplexidade" dentro de alguns meses e "avançar um bocadinho mais".

Na mesma intervenção, a governante destacou os progressos registados na área da oncologia em Portugal, referindo que, segundo dados da OCDE publicados em 2025, o país apresenta taxas de mortalidade evitável cerca de 17% abaixo da média europeia.

Atribuiu estes resultados "ao trabalho extraordinário" dos profissionais de saúde e à capacidade de resposta do sistema, que conta com "hospitais e institutos de referência que prestam cuidados de elevadíssima qualidade clínica, apoiados por equipas multidisciplinares muitíssimo qualificadas".

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Durante a sessão, defendeu ainda que o tratamento do cancro deve ir além da dimensão clínica, defendendo a necessidade de garantir apoio psicológico, reduzir o isolamento dos doentes e assegurar cuidados com dignidade e proximidade.

Ana Paula Martina destacou o papel da LPCC na prevenção, na literacia em saúde, no apoio social e psicológico, bem como na investigação e no voluntariado, considerando a instituição "uma referência incontornável da sociedade portuguesa".

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