Ministro da Educação diz existirem "milhares de pessoas que querem ser professores"

Fernando Alexandre esteve reunido com os sindicatos de professores para discutir uma proposta da tutela que prevê a criação de um novo concurso nacional para responder às necessidades diárias das escolas.

20 de abril de 2026 às 18:49
Fernando Alexandre, ministro da Educação Foto: Vítor Mota
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O ministro da Educação disse esta segunda-feira existirem "milhares de pessoas que querem ser professores" e acabam por desistir por não encontrarem trabalho imediato nas escolas, acreditando que a situação poderá ser corrigida com os novos concursos de colocação.

O ministro da Educação, Ciência e Inovação (MECI), Fernando Alexandre, esteve esta segunda-feira reunido com os sindicatos de professores para discutir uma proposta da tutela que prevê a criação de um novo concurso nacional que está sempre aberto para ir dando resposta às necessidades diárias das escolas.

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Existem "em Portugal, milhares de pessoas que querem ser professores, mas nós não tratamos bem essas pessoas", afirmou Fernando Alexandre, dando como exemplo os jovens que, após terminarem o mestrado de ensino, têm de esperar quase um ano para começarem a dar aulas.

"Há muitos candidatos a professores que desistem de ser professores, precisamente porque demoram demasiado tempo a ser colocados numa escola", disse o ministro em declarações aos jornalistas no final das reuniões sindicais no âmbito da revisão do Estatuto da Carreira Docente.

No mês passado, o MECI apresentou uma ideia aos sindicatos: um concurso nacional que está sempre a decorrer para dar resposta às escolas que subitamente precisam de substituir um docente que adoeceu ou aposentou-se.

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A proposta tenta resolver o problema dos alunos sem aulas e de atrair quem está pronto a dar aulas, já que "alguém que acaba o curso de mestrado de ensino pode, no dia a seguir, ir ao Ministério da Educação ver que oportunidades têm para dar aulas. E isto muda completamente", disse.

Além destes jovens com mestrados em ensino, há "muitos milhares" com habilitação própria, a quem a tutela oferece a profissionalização: "Nós temos muitas pessoas que reúnem as condições para dar aulas de Português, para dar aulas de Inglês, Matemática, Física, mesmo não estando profissionalizados", lembrou Fernando Alexandre.

A ideia é que este concurso nacional contínuo responda aos pedidos de necessidades temporárias, que "são milhares" e surgem durante o ano em escolas de todo o país, reconheceu o ministro, admitindo que se continua a "demorar demasiado tempo a colocar os professores" deixando os alunos "sem aulas durante muito tempo".

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"Entre a identificação de uma necessidade de uma escola e conseguirmos colocar um professor na escola, são muitas semanas, a maior parte das vezes", sublinhou.

Além do concurso contínuo, o ministério propõe também um concurso anual para os professores que já estão no sistema para suprir vagas permanentes, permitindo a quem já está vinculado mudar de escola e a quem é novo vincular.

Em vez de apenas um concurso nacional em várias fases, a ideia é ter "dois concursos nacionais para fins diferentes": um que responde às necessidades permanentes do sistema e permite a mobilidade de professores e outro para dar resposta às necessidades temporárias das escolas.

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Estas alterações aos concursos de professores já em formato de proposta de diploma serão apresentadas aos sindicatos na próxima segunda-feira no âmbito da revisão do Estatuto da Careira Docente, que deverá entrar em vigor no ano letivo de 2027/2028.

Antes, será preciso criar sistemas de informação que permitam o apuramento das necessidades "mais rigoroso e mais fiável", acrescentou Fernando Alexandre.

No final das reuniões, os sindicatos mostraram-se satisfeitos com a ideia geral de um concurso nacional contínuo, chamando a atenção para algumas questões, como a operacionalidade do sistema, o perigo de alguns professores não ficarem colocados ou de poder haver ultrapassagens de docentes.

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