Ordem propõe ao primeiro-ministro solução extrajudicial para corrigir desigualdades entre enfermeiros

Carta foi enviada na sequência de uma recente decisão do Supremo Tribunal de Justiça relativa a enfermeiros da ULS do Algarve.

02 de abril de 2026 às 17:44
Enfermeiros Foto: iStockphoto
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A Ordem dos Enfermeiros (OE) propôs ao primeiro-ministro uma solução extrajudicial que permita corrigir as desigualdades entre esses profissionais de saúde que trabalham no SNS com vínculos laborais diferentes.

A proposta consta de uma carta dirigida na terça-feira pelo bastonário Luís Filipe Barreira a Luís Montenegro, disponibilizada esta quinta-feira no `site´ da ordem, que alerta ser expectável o aumento de litígios judiciais entre enfermeiros e as unidades locais de saúde (ULS).

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A carta foi enviada na sequência de uma recente decisão do Supremo Tribunal de Justiça relativa a enfermeiros da ULS do Algarve, que reconheceu o direito de cerca de 300 profissionais com contrato individual de trabalho (CIT) ao reposicionamento remuneratório e ao pagamento de retroativos entre 2018 e 2021.

Segundo a OE, em causa está a aplicação de um decreto-lei de 2022, que procurou corrigir situações de estagnação salarial, mas cuja implementação "foi desigual entre instituições e entre enfermeiros" com contrato de trabalho em funções públicas (CTFP) ou com CIT.

Esta aplicação diferenciada das regras de avaliação de desempenho, de contagem de pontos e de reposicionamento remuneratório tem originado várias ações judiciais, alega a ordem.

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Na carta enviada ao primeiro-ministro, o bastonário salienta que a "diferença de tratamento não encontra qualquer fundamento material", uma vez que os enfermeiros com CIT exercem no Serviço Nacional de Saúde funções iguais aos colegas com CTFP e com o mesmo nível de responsabilidade e exigência.

O bastonário refere ainda que estas "situações de desigualdades" não estão circunscritas à ULS do Algarve, já apreciadas pelo Supremo Tribunal de Justiça, estimando que possam abranger um total de cerca de sete mil enfermeiros no país com CIT.

"Se a regularização destas situações continuar a ocorrer apenas por via judicial, é expectável, à medida que se tornam públicas decisões judiciais favoráveis aos enfermeiros com CIT, o aumento do número de litígios judiciais", alerta a carta.

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Perante essa possibilidade, Luís Filipe Barreira considera que "seria prudente uma solução extrajudicial e de aplicação uniforme" para resolver esses casos, ainda que possa ser diferida no tempo, salientando que esta seria a "melhor solução para todas as partes envolvidas".

"Acresce que o Estado, sabendo de antemão que não lhe assiste razão nestes casos, não deveria agir como um litigante qualquer, porque tem o dever acrescido de atuar de boa-fé, lealdade processual e sentido de justiça", argumenta o bastonário.

Nesse sentido, avança com a possibilidade de o Governo avaliar ajustamentos no regime legal que está em vigor, com o objetivo de assegurar uma aplicação uniforme das regras sobre o reposicionamento remuneratório e progressão na carreira dos enfermeiros do SNS, manifestando ainda a disponibilidade da ordem para uma "solução justa para todos".

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Segundo um dos advogados que representou os quase 300 enfermeiros da ULS do Algarve, na sequência da recente decisão judicial, cada profissional deverá receber em média entre 10.000 e 20.000 euros, com reflexos também ao nível da progressão na carreira.

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