Parque de Campismo na Costa da Caparica alerta campistas para saírem das zonas baixas
Trabalhos a decorrer nas terras da Costa, onde estarão a ser descarregados para o esgoto milhares de litros de água, estão a contribuir para as inundações nas zonas mais baixas.
A direção do parque de campismo da Sociedade Filarmónica União Artística Piedense (SFUAP), no concelho de Almada, lançou esta segunda-feira um alerta aos campistas e visitantes que "se ausentem imediatamente" das instalações nas zonas baixas devido às condições meteorológicas adversas.
Numa publicação na sua página na rede social Facebook na manhã desta segunda-feira, a SFUAP explica que esta medida dirigida especificamente às "zonas baixas 1,2 e 6" visa garantir a segurança de todos, "uma vez que a situação de intempérie poderá agravar-se".
"Recordamos que a responsabilidade pela permanência nas instalações é individual, ficando ao critério de cada pessoa a adoção das ações que considere necessárias para a sua proteção.
Num comunicado também divulgado na página oficial da SFUAP no Facebook, a entidade explica que foi alertada "para trabalhos a decorrer nas terras da Costa, onde estarão a ser descarregados para o esgoto milhares de litros de água, situação que está a contribuir para as inundações nas zonas mais baixas do parque, onde se localiza a rede de drenagem".
A SFUAP adianta que foram de imediato feitos contactos com a Proteção Civil, a GNR e os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento e acrescenta que há cerca de uma semana as equipas têm estado no terreno a retirar a água acumulada no parque.
No entanto, adianta, a água proveniente do terreno baldio adjacente "continua a entrar, dificultando os trabalhos".
"Estamos, assim, a ser diretamente afetados por descargas que não têm origem no parque, o que, aliado à quantidade de chuva e incapacidade de drenagem dos sistemas pluviais, torna inglório todo o trabalho realizado", explica.
A Lusa contactou o parque de campismo mas, até ao momento, não foi possível obter declarações sobre a situação.
Foi ainda contactada a Junta de Freguesia da Costa da Caparica, durante a manhã e início da tarde desta segunda-feira, mas sem êxito.
Já no contacto feito com a Câmara Municipal de Almada, no distrito de Setúbal, foi explicado à agência Lusa que, no domingo, foi preciso fazer drenagem a pedido dos campistas.
A mesma fonte da autarquia adiantou que os bombeiros estiveram no local, mas que o pedido não foi articulado com a proteção civil ou com a Câmara Municipal de Almada.
O problema, salientou a mesma fonte da autarquia, tem já duas semanas mas é estrutural, pelo que o SMAS está preocupado com o que está a acontecer "uma vez que existe risco de vazamento de águas sujas para o exterior".
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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