"Passo da classe média a sem-abrigo": Celina e Américo deixam casa onde viviam por decisão dos tribunais
Celina e Américo Miranda, de 66 e 75 anos, perderam a casa em Viana do Castelo. Dor e revolta marcaram saída.
"Saio com muita tristeza e vontade de chorar, porque isto causa-me muita revolta, mas no fundo, vou aliviada, porque acabou este pesadelo". Celina Miranda, era o rosto do desalento, esta quarta-feira, ao final da manhã, quando saiu pela última vez da casa que comprou, em Viana do Castelo, em 2017, e que perdeu por decisão dos Tribunais. O marido, Américo, 75 anos, teve que ser amparado na hora da saída.
"Estou com muito receio pela saúde do meu marido, mas vamos continuar a lutar para reaver o dinheiro que gastámos na casa. Passei da classe média a sem-abrigo", lamentou a mulher, agarrada ao cão Kiko, que também se mostrava inquieto com toda a movimentação na casa.
O casal perdeu a propriedade da casa, que comprou há quase oito anos por 100 mil euros. Tudo porque a moradia tinha sido vendida ao anterior proprietário com uma procuração que não tinha valor jurídico. Os tribunais anularam a procuração e todos os atos que se seguiram foram também considerados nulos.
"Vamos continuar a lutar na Justiça para reaver o dinheiro que aqui gastámos, porque ficámos sem nada", atirou a mulher, desanimada.
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