Patriarca de Lisboa lamenta "guerras que parecem não ter fim"

Rui Valério salientou a importância da Eucaristia, "o sacramento daquele amor que se deixa partir para que os homens deixem de se dividir".

04 de junho de 2026 às 16:40
Patriarca de Lisboa Rui Valério Foto: Tiago Petinga/Lusa
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O Patriarca de Lisboa, Rui Valério, afirmou esta quinta-feira que se vivem "tempos marcados por divisões profundas" e "guerras que parecem não ter fim", e defendeu que na Eucaristia se recebe a "força para construir comunhão".

"Vivemos tempos marcados por divisões profundas, guerras que parecem não ter fim, conflitos entre povos, polarizações dentro das sociedades, relações familiares feridas, solidões silenciosas, muros visíveis e invisíveis", disse Rui Valério, na missa do Corpo de Deus a que presidiu na Sé Patriarcal.

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O patriarca salientou a importância da Eucaristia, "o sacramento daquele amor que se deixa partir para que os homens deixem de se dividir".

"Cristo deixa-se repartir para reunir, entrega-se para reconciliar, faz-se alimento comum para recordar que todos somos chamados à mesma mesa", prosseguiu, segundo a homilia enviada à agência Lusa, observando que sempre que se celebra a Eucaristia recebe-se a "força para construir comunhão".

Referindo que "a Igreja não vive de uma ideia", nem de "uma teoria religiosa" ou de "um projeto humano, por mais generoso que seja", Rui Valério sustentou que "a Igreja vive de uma presença", Jesus Cristo.

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"Na Eucaristia, Deus faz-se pequeno para que ninguém tenha medo de se aproximar", adiantou, para sublinhar que, "muitas vezes, os homens procuram afirmar-se através da força, do poder ou da aparência", mas "Deus escolhe outro caminho, o da proximidade, da mansidão e da entrega".

Para o patriarca de Lisboa, a "Eucaristia é o sacramento da humildade de Deus" e responde "à necessidade mais profunda da humanidade contemporânea".

"Vivemos numa sociedade em que abundam alimentos, mas cheia de fome; cheia de comunicação, mas cheia de solidão; cheia de informação, mas muitas vezes sem sabedoria; cheia de prazer, mas profundamente sedenta de sentido", observou.

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Segundo Rui Valério, nunca se teve "tantos meios para viver e, paradoxalmente, tantos homens e mulheres perguntam para quê viver".

"Nunca tivemos tantas ligações e tantas pessoas sentem que ninguém as conhece verdadeiramente", disse, advertindo que "o coração humano continua a ter uma fome que nenhuma realidade deste mundo consegue saciar", sendo a Eucaristia "a resposta de Deus à sede de infinito que habita cada pessoa".

O patriarca referiu-se depois à tradicional Procissão do Corpo de Deus, a que vai presidir, percorrendo, a partir das 17:00, várias artérias da Baixa de Lisboa.

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Perguntando por que razão se leva o Santíssimo Sacramento à cidade, o prelado respondeu: "Para que a cidade se recorde de que Deus continua a caminhar connosco".

Para Rui Valério, este momento é "uma das imagens mais belas da Igreja", um povo que "caminha atrás de Cristo, não atrás das modas, não atrás dos poderes, não atrás dos interesses passageiros", frisando que a Eucaristia quer "fazer de cada cristão uma presença de Cristo no mundo", transformando famílias, comunidades ou cidades.

"Por isso, ao passarmos hoje pelas ruas da cidade, Cristo não pede apenas que o acompanhemos na procissão, pede que o levemos connosco para casa, para o trabalho, para as decisões difíceis, para as feridas que escondemos, para as pessoas que amamos", acrescentou.

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