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Autoridades alertaram o Kremlin de que o nível atual de gastos projetados com defesa corre o risco de aumentar perigosamente o défice orçamental do governo e propuseram novos cortes nestas despesas.
O Presidente russo, Vladimir Putin, foi avisado por altos funcionários das Finanças e do banco central de que os gastos com a guerra na Ucrânia estão numa trajetória insustentável, noticiou a Bloomberg News.
Segundo a agência, que cita fontes próximas do assunto e documentação analisada, as referidas autoridades alertaram o Kremlin de que o nível atual de gastos projetados com defesa corre o risco de aumentar perigosamente o défice orçamental do governo e propuseram novos cortes nestas despesas.
Uma divisão entre os decisores políticos fez com que altos funcionários do Ministério da Defesa e alguns no Kremlin, determinados a prosseguir os objetivos de guerra de Putin, insistissem em proteger as despesas militares, argumentando que muitas empresas dependem de contratos militares para produzirem e criarem emprego.
Putin pediu aos funcionários do Ministério das Finanças que identificassem cortes de despesas noutras áreas do orçamento, antes da defesa, segundo as fontes da Bloomberg, que não obteve reação da parte do Kremlin.
O Ministério da Defesa exige mesmo financiamento adicional, segundo duas fontes próximas do Governo russo.
As pressões orçamentais, tanto no ano passado como este ano, são do conhecimento do Presidente russo, de quem dependerá exclusivamente a dimensão de quaisquer cortes nas despesas.
No quinto ano da invasão em grande escala da Ucrânia, a economia e as finanças da Rússia enfrentam dificuldades crescentes, apesar da recente subida dos preços do petróleo resultante da guerra no Irão.
Segundo a Bloomberg, o preço do petróleo teria de se manter acima dos 100 dólares por barril durante pelo menos um ano para que a economia melhorasse significativamente, e este ganho inesperado não resolveria os problemas estruturais que afetam o crescimento, a inflação e o setor bancário.
Mesmo os setores ligados às encomendas da indústria de defesa estatal deverão expandir apenas 4% a 5% em 2026, tendo crescido perto de um terço nos últimos anos, devido às encomendas militares.
Depois de ter reduzido a sua previsão de crescimento em maio, a Rússia está à beira da recessão, com o Ministério da Economia a prever agora que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 0,4% em 2026, abaixo da estimativa anterior de 1,3%. Os dados oficiais mostram que a economia contraiu no primeiro trimestre pela primeira vez em três anos.
Apesar do aumento das receitas petrolíferas devido à guerra no Médio Oriente, o défice nos primeiros quatro meses do ano aumentou para 2,5% do PIB, cerca de 50% acima do orçamentado, segundo dados oficiais.
Fortemente afetada pelas sanções internacionais, a economia russa está mais debilitada e o governo aumentou alguns impostos, estando ainda a considerar novos agravamentos fiscais, nomeadamente sobre alguns produtores de matérias-primas e bancos para ajudar a cobrir o défice orçamental.
O crescente rombo financeiro da Rússia provocou na semana passada a ira de um parlamentar veterano da câmara baixa do parlamento, Valery Gartung, que recordou a hiperinflação após o colapso da União Soviética.
"O que vamos fazer em relação a isso?", questionou. "Imprimir dinheiro ou quê? Como em 1992, quando os preços subiam 30% todas as semanas? Sabemos que não é essa a solução", afirmou o parlamentar.
A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.
No plano diplomático, a Rússia rejeitou até agora qualquer cessar-fogo prolongado e exige, para pôr fim ao conflito, que a Ucrânia lhe ceda pelo menos quatro regiões - Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia - além da península da Crimeia, anexada em 2014, e renuncie para sempre a aderir à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).
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