Pedrógão Grande ainda com "largas dezenas" de casas afetadas e sem intervenção
Presidente da Câmara afirma que as equipas estão a ficar esgotadas.
O concelho de Pedrógão Grande ainda tem "largas dezenas" de casas afetadas pela depressão Kristin que estão sem intervenção, num momento em que as equipas estão a ficar esgotadas, afirmou o presidente do município.
"Temos ainda largas dezenas de casas" sem intervenção, disse à agência Lusa João Marques, afirmando que, mesmo em habitações onde foi possível fazer algumas reparações provisórias e pôr lonas, com os ventos fortes que se sentiram no fim de semana "voltaram ao mesmo".
Segundo o autarca, "as pessoas estão muito esgotadas", sublinhando, porém, o trabalho "incansável" dos funcionários do município, da corporação local, escuteiros, equipas da GNR, da Força Especial de Bombeiros e de "voluntários estrangeiros e nacionais".
"Está tudo a ficar de rastos, mas não desistimos", vincou.
O presidente da Câmara de Pedrógão Grande salientou que, face à dimensão dos danos em habitações, todos os meios "parecem poucos para o trabalho necessário", referindo que foi pedida ajuda ao Exército, mas sem sucesso até ao momento.
"Enquanto não se conseguir pôr empreiteiros e pessoal da construção civil a recuperar definitivamente estamos a fazer algo que depois vem o vento e desfaz", notou.
De acordo com João Marques, o impacto da passagem da depressão sentiu-se em todo o concelho, mas com especial incidência na região sul de Pedrógão Grande.
Além das casas sem intervenção, ainda há trabalho a ser feito na reposição da energia, num momento em que cerca de 85% do concelho já tem a luz restabelecida, mas ainda com "muitas anomalias", constatou.
"As empresas ainda estão sem energia e há muitas habitações que, mesmo havendo energia na aldeia, não têm porque as baixadas [ligações da rede às casas] ficaram deterioradas", explicou.
João Marques afirmou que o município está a começar a inventariar todos os prejuízos nos equipamentos municipais, património religioso, cultural e associativo, não conseguindo ainda estimar o valor.
"O urgente agora é intervir nas habitações e assegurar a eletricidade", disse, esperando também que no futuro haja um restabelecimento das comunicações.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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