Plataforma realiza ação de protesto em Lisboa para denunciar degradação das condições no SNS
Entre os principais problemas apontados está a reorganização dos serviços de urgência.
A Plataforma Lisboa em Defesa do Serviço Nacional de Saúde realiza esta terça-feira uma ação de protesto junto ao Hospital São José, em Lisboa, para denunciar "o agravamento inaceitável" das condições de acesso aos cuidados de saúde.
A "ação de denúncia" terá início às 07h30 e inclui a distribuição de um comunicado aos utentes e profissionais de saúde e uma conferência de imprensa para alertar para a urgência de "travar a degradação do SNS".
"O nosso objetivo é voltar a chamar a atenção para o plano que o Governo definiu há dois anos para a saúde, que não está a funcionar, antes pelo contrário, está a falhar em diversas vertentes", disse à agência Lusa Fátima Amaral, membro da Plataforma Lisboa em Defesa do SNS.
Entre os principais problemas apontados está a reorganização dos serviços de urgência, nomeadamente o encerramento das urgências de obstetrícia e ginecologia dos hospitais de Vila Franca de Xira e do Barreiro, concentrando a resposta "numa só localidade", uma situação que obriga grávidas "a percorrer quilómetros e quilómetros", constringindo para partos em ambulâncias ou na via pública, disse Fátima Amaral.
A plataforma critica igualmente o projeto "Ligue Antes, Salve Vidas", que obriga ao contacto prévio com a Linha SNS 24 antes da deslocação às urgências, afirmando que tem criado "efetivos constrangimentos" aos utentes no acesso aos cuidados de saúde".
Outro dos problemas identificados é a falta de médicos de família, que atinge mais de 1,1 milhão de utentes na região de Lisboa e Vale do Tejo, dos quais 790 mil têm mais de 80 anos, observou Fátima Amaral.
Deu como exemplos preocupantes desta situação Alenquer, onde 30 mil dos 40 mil utentes não têm médico de família e Azambuja, onde esta situação atinge 91% dos utentes.
Na Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra, mais de 183 mil utentes não têm médico de família atribuído, sendo que só no concelho da Amadora esse número ronda os 55 mil.
Fátima Amaral alertou que a falta de acesso aos cuidados de saúde primários vai "influenciar negativamente os problemas que já existem, e que em muitos casos são estruturais, nas unidades hospitalares", aumentando a pressão sobre as urgências.
A este cenário somam-se a falta de camas em determinas especialidades e longas listas de espera para consultas, tratamentos e cirurgias, com doentes a aguardarem meses ou anos por atendimento, havendo mesmo casos de pessoas que morrem "à espera de uma intervenção cirúrgica que nunca chega", denuncia a plataforma.
A plataforma denuncia que esta realidade não resulta de situações isoladas, mas sim de uma política prolongada de desinvestimento no SNS, que tem consequências graves: "Aumento das desigualdades no acesso à saúde, transferência de custos para as famílias, desumanização e degradação da qualidade dos cuidados, a desvalorização e exaustão dos profissionais de saúde".
Para inverter esta situação, exige mais investimento, valorização dos profissionais de saúde, reabertura e reforço de serviços e a "garantia de acesso universal, digno e seguro" aos cuidados de saúde.
Integram a plataforma as comissões de utentes da Cidade de Lisboa, Amadora e Sintra, a Direção Regional de Lisboa do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, o Movimento Democrático de Mulheres, a Inter-Reformados de Lisboa, o Movimento de Utentes dos Serviços Públicos, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas, o Sindicato Nacional dos Psicólogos e a União dos Sindicatos de Lisboa (CGTP-IN).
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