Praça D. João I volta a ser palco de tensão: Centenas reúnem-se após intervenção da PSP em protestos pela habitação

Multidão aguarda uma nova assembleia popular, marcada pelo movimento pela habitação, para definir se volta a pernoitar naquele espaço.

Atualizado a 15 de outubro de 2026 às 22:43
Praça D. João I volta a ser palco de tensão: Centenas reúnem-se em protestos pela habitação Foto: Rita França/Lusa
Praça D. João I volta a ser palco de tensão: Centenas reúnem-se em protestos pela habitação Foto: Rita França/Lusa
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Praça D. João I volta a ser palco de tensão: Centenas reúnem-se em protestos pela habitação Foto: Rita França/Lusa
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A praça D. João I volta a ser palco de protestos. Centenas de pessoas estão reunidas no centro da cidade do Porto após a intervenção da PSP no protesto pela habitação naquele mesmo local, na madrugada desta quinta-feira. A multidão aguarda uma nova assembleia popular, marcada pelo movimento pela habitação, para definir se volta a pernoitar naquele espaço.

Ao CM um dos manifestantes afirmou que "esta é a resposta da cidade de quem está preocupado com os problemas de verdade dos portuenses", garantindo que os protestos da noite anterior decorreram sempre de forma pacífica. Para o homem, "houve uma repressão violenta, abusiva, criminosa" da PSP perante manifestantes pacíficos.

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"Esta é a resposta da cidade": manifestantes reúnem-se no Porto após intervenção da PSP em protestos pela habitação

CMTV

Pelas 18h00, a praça encontrava-se em silêncio, com algumas pessoas a aguardar sem se manifestar.

Pelas 19h00, a concentração arrancou com "Grândola, Vila Morena", de José Afonso, um espelho da canção que os manifestantes cantavam pouco antes da carga policial da última madrugada. Já pelas 19h40, a multidão é tanta que enche por completo aquele espaço. As cerca de duas mil pessoas presentes têm cartazes com mensagens contra o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, e a reivindicar o direito à habitação, entoando palavras de ordem como "O povo unido jamais será vencido" e "Pedro Duarte, demissão".

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Perto das 21h, pelo menos uma parte da multidão dirigiu-se para a Câmara Municipal do Porto. Ali manifestaram e entoaram cânticos, entre gritos de "a rua é nossa" e "o Porto é nosso", antes de iniciarem o percurso de regresso.

Nos cartazes, Pedro Duarte era o alvo mais frequente, acusando-o de ser «mais mentiroso do que André Ventura», do Chega, e pedindo ao «implacável: menos bastão, mais habitação».

«Abram casas, não cabeças», «Não deixem o Luís trabalhar», «O Porto não está à venda» e faixas com «Morto.», em alusão ao 'slogan' Porto. da autarquia eram visíveis pela manifestação, como lamentos por «tanta gente sem casa, tanta casa sem gente» e por «alojamento local, desalojamento nacional».

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Mariana, que prefere não revelar o último nome, estava na manifestação durante a carga policial e explica à Lusa que «a causa é mais forte», pelo que regressou, com muitos amigos, com «mais sede de revolução».

«Éramos 100, 200 pessoas aqui a lutar por um direito que é universal. Todas as pessoas no mundo merecem um teto digno. Há, infelizmente, pessoas que não o têm, e é ultrajante como é que o nosso presidente, Pedro Duarte, foi capaz de recorrer a este nível de violência para manifestantes pacíficos», lamenta.

José Soeiro, ex-deputado à Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda, conta-se entre as dezenas que foram agredidas na carga policial, tendo visto o regresso, esta quinta-feira, de tanta gente como uma mostra «da força da solidariedade».

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«A acampada ajudou a colocar não apenas o problema, mas alguns dos caminhos em cima da mesa. Na questão das rendas, dos despejos, dos imóveis devolutos que estão vazios e que deviam ser dedicados à habitação. Do papel dos fundos abutres numa cidade como o Porto e noutras cidades. E é bom lembrar que nós estamos aqui neste momento, mas há dezenas de acampadas a acontecer em inúmeras cidades da Europa», comenta.

Essas acampadas, sobretudo em Espanha, mostram que o Porto «não está sozinho», mas, por outro lado, «não há uma única pela Europa que tenha tido uma carga policial como a que o Porto teve».

«No caso do Porto, totalmente violenta, desproporcional, absurda, para cumprir aquela ameaça do Presidente da Câmara de que ia ser absolutamente implacável com uma manifestação cidadã e perfeitamente legítima», critica.

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Se centenas regressaram para instalar um protesto em que têm participado desde sábado, eram muitos mais os que compunham as cerca de 2.500 pessoas que vieram pela primeira vez.

Entre elas estava Ricardo Costa, que veio por repudiar «completamente o que se passou» na madrugada, contra «uma manifestação pacífica», em ação policial que teve «o compadrio e os elogios do presidente da câmara e do primeiro-ministro», Luís Montenegro.

«Algo muito grave se passa neste país. E as pessoas têm que sair à rua e têm que mostrar a sua indignação e vir apoiar as causas nobres, como o direito à habitação», atira.

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Diana Mesquita já queria ter passado pelo movimento, por ser «muito solidária com a causa», e a última madrugada torna «complicado uma pessoa não ficar revoltada».

Também a revolta com a carga policial trouxe Pedro Sarmento à rua, por «dever cívico», patente na bandeira de Portugal que trazia aos ombros.

«Trouxe-a porque acho que tem havido muita discussão nas redes sociais, por todaa parte, que esta manifestação tem sido levada por temas não relacionados com a habitação. (...) São temas muito válidos, mas não é isso que está aqui em causa, o que está aqui em causa é a habitação em Portugal, a qualidade de vida das pessoas que moram em Portugal hoje», atira.

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A Polícia de Segurança Pública interveio, na madrugada desta quinta-feira, no protesto pela habitação na Praça D. João I, no Porto, onde os manifestantes se concentravam com tendas, depois de a primeira mobilização ter levado à intervenção da Polícia Municipal e das autoridades. Oito manifestantes ficaram feridos, segundo informação dos Bombeiros Voluntários do Porto, um transportado para o Hospital de Santo António. Já o Movimento que convocou o protesto aponta para 37 , dos quais dois em estado grave.

De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.

O movimento apresenta seis reivindicações principais: "abaixo a lei das rendas; fim dos despejos; fim da compra de imóveis por fundos abutres; mais habitação pública; recuperação de imóveis devolutos para habitação; tetos às rendas".

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Na nota de divulgada esta quinta-feira, o movimento "denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", considerando a carga "inaceitável" e pedindo responsabilidades.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, bem como o autarca Pedro Duarte, consideraram a ação policial como legítima. Montenegro pediu até aos manifestantes que deixassem de ser "egoístas" e defendeu as forças policiais.

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