Presidente da República recorda Cruzeiro Seixas como "mestre" de uma geração revolucionária

Artista plástico morreu este domingo aos 99 anos no Hospital Santa Maria, em Lisboa.

09 de novembro de 2020 às 07:31
Cruzeiro Seixas tinha 99 anos Foto: Bruno Colaço
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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou este domingo a morte do "mestre" Cruzeiro Seixas, aos 99 anos, o artista plástico que pertenceu a uma geração que "revolucionou o panorama artístico e literário" português.

"Artur do Cruzeiro Seixas, que nos deixou depois de uma vida longa e livre, foi uma figura multímoda da cultura portuguesa. A sua geração, que na década de 1940 aprendeu e transpôs as lições do surrealismo francês, revolucionou o nosso panorama artístico e literário", lê-se numa nota de pesar na página da Presidência.

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Cruzeiro Seixas morreu no domingo aos 99 anos no Hospital Santa Maria, Lisboa.

A informação foi revelada pela Fundação Cupertino de Miranda, de Vila Nova de Famalicão, à qual Cruzeiro Seixas tinha doado a sua coleção em 1999.

Marcelo Rebelo de Sousa considera que nas pinturas, desenhos, colagens, objetos e produção poética de Cruzeiro Seixas, "o mundo reencanta-se: é uma vez mais maravilhoso, insólito, fantástico, enigmático".

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"É um vivíssimo corpo em metamorfose, com uma 'volúpia da vitalidade' que lhe confere unidade na diversidade, através das décadas e dos diferentes registos plásticos e poéticos", afirma o Presidente da República.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, "as obras de Cruzeiro Seixas, para citar versos seus, 'sabem ler nos mapas mais secretos / e de olhos vendados / o intensíssimo / amor dos relâmpagos'. É esse segredo nunca desvendado, esse amor dos relâmpagos, que devemos a Mestre Cruzeiro Seixas".

Artur do Cruzeiro Seixas, nascido na Amadora em 03 de dezembro de 1920, é um dos nomes fundamentais do Surrealismo em Portugal, era um dos últimos surrealistas, cuja obra se estende aos campos do desenho, da pintura, da poesia, da escultura e dos objetos.

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Em outubro tinha sido distinguido com a Medalha de Mérito Cultural, pelo "contributo incontestável para a cultura portuguesa".

Cruzeiro Seixas, cuja obra está representada em coleções como as do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação Cupertino de Miranda, faria cem anos a 03 de dezembro.

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