Ordem processa médico por eutanásia

Bastonário envia caso de Rui Moreno para conselho disciplinar.

07 de março de 2016 às 01:45
Processa médico por eutanásia Foto: Duarte Roriz
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A Ordem dos Médicos abriu um processo disciplinar ao médico Rui Moreno, coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos de Neurocríticos do Centro Hospitalar de Lisboa Central, que admitiu ter praticado eutanásia num amigo com cancro do pâncreas.

"O médico Rui Moreno confessou ter praticado eutanásia, num amigo, quando tinham ambos cerca de 40 anos. Foi aberto um inquérito disciplinar, porque houve uma violação à lei", revela ao CM José Manuel Silva, explicando: "Se foi há mais de 20 anos, então já prescreveu e não se pode fazer nada. Se foi há menos, temos de agir".

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Esta situação, defende José Manuel Silva, é bastante diferente da descrita pelo médico Pereira Coelho. O especialista em ginecologia/obstetrícia assumiu que praticou eutanásia no pai. "Colaborei na morte do meu pai. Era uma morte muito arrastada, prevista e previsível a um curto prazo", afirmou, reconhecendo já ter presenciado várias situações semelhantes.

Para José Manuel Silva, as declarações de Pereira Coelho "confirmam a enorme confusão entre os médicos quanto aos conceitos de eutanásia e ortotanásia". "Ouvi as declarações e o que se passou com o pai de Pereira Coelho foi ortotanásia", acrescenta o bastonário, explicando: "O pai teve uma situação arrastada e entrou em coma. Não permitiu que o reanimassem e deixou o pai morrer naturalmente, sem qualquer sofrimento. Isto é ortotanásia e acontece todos os dias nos hospitais. É por esta confusão que não vejo aqui matéria disciplinar."

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