Professora de Matemática que exerceu mais de 30 anos sem curso vai a julgamento
Para avançar na carreira, a falsa docente forjou uma certidão de mestrado na Universidade da Madeira, com 18 valores.
Paula Pinto Pereira exerceu mais de 30 anos como professora de Matemática com certificados de habilitações falsos e sem qualquer curso superior. Foi expulsa do ensino em 2023 e acusada há 10 meses, tendo ainda tentado evitar a ida a julgamento através da abertura da instrução do processo, mas sem sucesso.
Mesmo sem curso superior, a falsa docente escreveu manuais de Matemática, exerceu funções como diretora de turma, orientadora de estágios e foi ainda coordenadora do plano curricular do agrupamento a que pertencia, detalha o jornal Público. Paula Pinto começou a dar aulas na qualidade de professora provisória, quando ainda frequentava o curso de Matemática, na década de 80, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Antes de ser transferida frequentava a Universidade de Coimbra, onde reprovou a várias cadeiras, como detalha a acusação.
De acordo com o Ministério Público, o primeiro certificado forjado foi apresentado pela falsa docente em 1988, na Escola Secundária do Barreiro. À data tinha "apenas concluído três disciplinas e no documento alegava a conclusão de 12". No certificado forjado, Paula Pinto Pereira apresentava a conclusão da licenciatura com 15 valores. No ano seguinte, passou a exercer na Escola Secundária Daniel Sampaio, na Costa da Caparica, onde se manteve até ser descoberta.
A investigação aponta ainda que, para avançar na carreira, a falsa docente falsificou uma certidão de mestrado na Universidade da Madeira, com 18 valores. A arguida passou a receber um vencimento de 2 mil euros líquidos por mês e viu ser-lhe garantida uma progressão de quatro anos na carreira.
O Ministério Público acusou a falsa docente de "ludibriar o sistema educacional e a administração pública", tendo chegado a exigir que a falsa docente pagasse mais de 355 mil euros, montante referente à diferença entre o que recebeu e o que deveria ter recebido se não tivesse falsificado as habilitações, algo que o Supremo Tribunal Administrativo não permitiu que fosse avante. A suspeita continua a insistir não ter forjado o curso e alega desorganização por parte dos estabelecimentos de ensino que frequentou.
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