Protesto dos agricultores condicionou trânsito no IC2 durante 13 horas

Manifestação em Benedita começou às 05h00 e terminou às 18h00.

05 de fevereiro de 2024 às 12:59
Agricultores em protesto no Montijo Foto: Direitos Reservados
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Terminou às 18h00 a marcha lenta de agricultores que estava a condicionar o trânsito no IC2, em Benedita, Alcobaça. Os protestos naquele local começaram por volta das 05h00 desta segunda-feira.

A manifestação com cerca de 40 tratores não cortou o trânsito mas dificultou a circulação durante 13 horas, confirmou ao CM fonte da GNR.

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O protesto iniciado cerca das 05h00 mobilizou durante a manhã cerca de 40 tratores, máquinas agrícolas e veículos afetos ao transporte de gado e durante a tarde "teve ainda maior adesão, formando filas de sete ou mais quilómetros, até que os agricultores desmobilizaram, pouco depois das 18h00, tendo cumprido o seu objetivo", disse à agência Lusa Paulo Ribeiro, da organização.

A marcha lenta decorreu no IC2, entre o concelho de Rio Mário (no distrito de Santarém) e a Benedita, no concelho de Alcobaça (distrito de Leiria), numa demonstração do "descontentamento dos agricultores da região Oeste, dentro da linha da contestação do Movimento Civil de Agricultores", que na passada quinta-feira promoveu manifestações em vários locais do país

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"Organizámos uma marcha lenta para mostrar o descontentamento dos agricultores da região Oeste e contra as políticas que não respondem às necessidades de vários setores", disse à agência Lusa o agricultor Paulo Ribeiro, um dos organizadores do protesto.

O movimento, que se diz apartidário e independente, reclama a revisão do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum, que considera não corresponder "às expectativas e necessidades" dos agricultores.

O grupo vai agora "aguardar as diretrizes nacionais e o resultado das negociações que estão a decorrer com o Ministério da Agricultura", admitindo o agricuultor que "possam realizar-se outros protestos".

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Num manifesto distribuído durante o protesto, os manifestantes contestam o facto de "frutas, carne e hortícolas oriundos de países terceiros "não serem "sujeito às mesmas regras e imposições de produção em Portugal", sendo o consumidor "cativado pelo preço baixo" de produtos estrangeiros, em relação aos quais consideram ser "omitido o uso [na produção] de fitofármacos e medicamentos proibidos na União Europeia (UE)".

No manifesto, o agricultores repudiam "a abertura de portas, por parte da UE, ao Mercosul [Mercado Comum do Sul]", considerando tratar-se de "concorrência desleal, com prejuízo efetivo dos interesses e da segurança alimentar dos consumidores".

"A inexistência de uma estrutura ou comissão séria e idónea que regule e supervisione o mercado ligado à produção agrícola cria entraves sérios ao escoamento da produção a um preço justo para o produtores", criticam os agricultores, considerando "imprescindível capacitar o setor agrícola", desde os produtores aos prestadores se serviços, à indústria.

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No atual cenário geopolítico marcado por "guerras, catástrofes naturais e alterações climáticas", os manifestantes alertam para a urgência de se "implementar medidas concretas" que defendam os interesses de Portugal e dos portugueses em tempos de escassez, de especulação e de inflação".

Por isso, os agricultores prometem continuar os protestos e continuar "atentos às negociações que decorrem" e que consideram "insuficientes perante os desafios atuais".

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