Provas obrigam escolas a ginástica
Diretores dizem que aferição não permitiu “dia normal” de aulas.
"O princípio é o de que isto é um dia normal de escola", disse o secretário de Estado da Educação, João Costa, durante a apresentação das provas de aferição para os alunos do 2º ano, "inéditas" por terem tarefas práticas de Expressões Artísticas e de Expressões Físico-Motoras.
Para professores e diretores, porém, "a normalidade não aconteceu" ontem, no primeiro dia de provas. "As provas envolvem uma ginástica muito grande. Os professores que vão classificar as provas poderão estar a faltar às próprias aulas. Tentámos fazer com que a aferição calhasse fora dos horários letivos dos docentes, mas admito que haja casos de alunos que ficaram sem algumas aulas", diz Filinto Lima, presidente da Associação de Diretores de Escolas Públicas.
"A normalidade não aconteceu. Em termos de organização e gestão dos recursos, é uma brutalidade", acrescenta Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares.
Também os professores têm críticas. "Não conheço uma escola onde a situação tenha sido normal. Há uma sobrecarga dos horários dos professores", diz Manuel Micaelo, da Fenprof.
Ministério diz que está a acompanhar escolas
Ministério diz que está a acompanhar escolasContactado pelo CM, o Ministério da Educação disse que está a acompanhar as escolas que, "já há algum tempo", começaram a organizar as provas "para que tudo decorra com tranquilidade" para alunos e restante comunidade.
PORMENORES
Horas extraordinárias
"Há professores que de manhã vão classificar provas e à tarde dar aulas. Recomendamos que peçam o que lhes é devido em horas extraordinárias", afirma Manuel Micaelo, da Fenprof.
Falta de material
"As escolas conseguiram o material necessário através de parcerias, mas é preciso que este exista nas escolas o ano todo. É preciso reforçar o orçamento", alerta Filinto Lima.
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