PS, Chega e PCP dizem que relatos desmentem garantias deixadas pelo ministro da Educação sobre exames estarem corrigidos
Líder da bancada comunista, Paula Santos, disse ter recebido denúncias de que "há professores que ainda aguardam que a plataforma publique itens para serem classificados".
PS, Chega e PCP afirmaram esta sexta-feira haver relatos que desmentem as garantias do ministro da Educação de que não haverá alterações aos calendários de acesso ao ensino superior e de que todos os exames estão corrigidos.
Os partidos falavam no debate de urgência, no Parlamento, marcado pelo PCP sobre as classificações nos exames nacionais depois de o ministro da Educação, Fernando Alexandre, ter afirmado que todos os exames nacionais do ensino secundário estão classificados e ter afastado alterações ao calendário do acesso ao ensino superior.
A líder da bancada comunista, Paula Santos, disse ter recebido denúncias de que "há professores que ainda aguardam que a plataforma publique itens para serem classificados".
"Estas foram denúncias que acabámos de receber e que demonstram que, efetivamente, os problemas estão longe de estar resolvidos", afirmou, pedindo ao Governo que esclareça também se foram avaliadas provas incompletas, sem todas as folhas de resposta preenchidas pelos alunos.
Na intervenção que encerrou o debate, Paula Santos acusou o ministro de "fugir às respostas necessárias" e apontou que haverá um novo momento de escrutínio parlamentar na terça-feira, com a audição de Fernando Alexandre na Comissão de Educação.
Já perto do fim do debate, o deputado socialista Porfírio Silva pediu a distribuição de uma notícia que referia um adiamento dos prazos de candidatura na Universidade de Aveiro, com o objetivo de desmentir a garantia de que não haverá qualquer alteração ao calendário de acesso ao ensino superior.
O deputado do Chega Rui Cardoso acusou Fernando Alexandre de "faltar à verdade", relatando que, na manhã desta sexta-feira, teve "conhecimento de 'e-mails'" de escolas dirigidos aos encarregados de educação a reportar que não têm qualquer resposta do Júri Nacional de Exames.
Pelo Chega, também interveio antes André Ventura, que afirmou que o ministro da Educação escolheu atirar as culpas "para toda a gente, menos para si próprio", argumentando que quem "não percebe que quem tutela a educação tem a responsabilidade" de dar resposta a professores, estudantes e famílias "está a falhar na sua função".
Filipa Pinto, do Livre, afirmou que "nem as palmas de pé da bancada do PSD salvam" o ministro da Educação, numa alusão à ovação de pé que os partidos do Governo fizeram à intervenção de Fernando Alexandre no debate.
A deputada pediu ainda ao ministro da Educação que garanta que os alunos tenham acesso gratuito não só à prova como também à sua reapreciação.
Durante o debate, a deputada da IL Angélique de Teresa afirmou que o ministro da Educação "conseguiu o pleno num processo que tinha a obrigação de ser bem gerido, mas chumbou", ao "desvalorizar o que se estava a passar" e adiar o "calendário dos exames nacionais sem olhar para o do ensino superior".
Aida Carvalho, do PS, afirmou que os socialistas "nunca foram contra a digitalização" dos exames, mas recusou que "em nome de um discurso reformista se transformem alunos, professores e escolas em meras cobaias de experiências mal concebidas".
Do lado dos partidos do Governo, o social-democrata Pedro Alves acusou o PS de uma "indignação oportunista" por ter sido "quem definiu a transição digital da avaliação" dos exames e o centrista Paulo Núncio defendeu a atuação de Fernando Alexandre, mas pediu a garantia, perante a preocupação das famílias, de que "nenhum aluno será prejudicado no acesso ao ensino superior".
O deputado único do BE, Fabian Figueiredo, culpou o ministro por tudo o que falhou neste processo e antecipou que a Comissão Parlamentar de Inquérito proposta pelos bloquistas vai avançar: "Vemo-nos na Comissão Parlamentar de Inquérito", disse.
Inês de Sousa Real, deputada única do PAN, questionou o ministro se as provas poderão efetivamente ser automaticamente consultadas por todos os estudantes e Filipe Sousa, do JPP, considerou estar em causa um problema de confiança no Estado.
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